Respeito, não condescendência
“Um dos maiores artistas vivos da música pop, Bob Dylan merece respeito, não condescendência. Se anunciar a aposentadoria, ou quando morrer, merecerá todo o espaço do mundo, mas, até lá, seus discos devem ser avaliados pelo que são, não por quem ele é.
[...]O que importa, para a Ilustrada, para o “Times”, para a “Blender”, para a “Uncut”, para a “Mojo” e para algumas outras publicações, é que “Together through Life” é um disco de Dylan; por isso, deve ser enaltecido e elogiado sem qualquer pudor.
***
Escrevi neste espaço, tempos atrás, sobre como o Brasil é um país que cultiva suas vacas sagradas. Em 2009, vemos que nada mudou. Caetano Veloso lançou “Zzzzzzzzzzzz zzz”, disco capenga, bobo, feito de composições que cairiam bem para um calouro de ciências sociais da PUC, e mesmo assim colheu elogios e confetes.
Chico Buarque publicou novo livro, “Leite Derramado”, e foi chamado de “novo Machado de Assis”. Enquanto isso, há gente nova e interessante publicando, gravando, compondo, filmando que não recebe um décimo dessa atenção porque seu “pedigree” ainda não está estabelecido.
Mas, vamos lá: Bob Dylan está melhor do que nunca; Caetano é um gênio e Chico Buarque se mostra um estilista das letras.”
Thiago Ney, na Folha de São Paulo. Já escrevi sobre temas similares aqui e aqui.
