São as palavras que suportam o mundo: a poesia de Fabrício Carpinejar e Paulo Henriques Britto
Há uma boa safra de “novos” poetas que descobri recentemente. Um dos mais interessantes é Fabrício Carpinejar, cujo blog é visita obrigatória.
Outro nome de destaque é Paulo Henriques Britto. Com seu livro “MACAU”, ele ganhou o prêmio Portugal Telecom de Literatura. Levou R$ 100 mil e um prêmio mais módico: minha admiração.
No poema “Acalanto”, ele sintetiza, como poucos, o prazer de estar com alguém: “Noite após noite, exaustos, lado a lado, / digerindo o dia, além das palavras / e aquém do sono, nos simplificamos.”
Mas a grande mensagem é o poema “De Vulgari eloquentia”. Para quem gosta de escrever e/ou conversar, ele representa todo o sentimento contida nessas ações. E, como mensagem para o próximo ano, eu deixo esse texto “para salvar o universo”.
De Vulgari eloquentia
A realidade é coisa delicada,
de se pegar com as pontas dos dedos.
Um gesto mais brutal, e pronto: o nada.
A qualquer hora pode advir o fim.
O mais terrível de todos os medos.
Mas, felizmente, não é bem assim.
Há uma saída – falar, falar muito.
São as palavras que suportam o mundo,
não os ombros. Sem o “porquê”, o “sim”,
todos os ombros afundavam juntos.
Basta uma boca aberta (ou um rabisco
num papel) para salvar o universo.
Portanto, meus amigos, eu insisto:
falem sem parar. Mesmo sem assunto.
