Somos realmente multitarefa?
Muito se tem comentado sobre a capacidade das novas gerações de fazer várias atividades ao mesmo tempo.
Para o economista norte-americano Tyler Cowen, o problema não é o excesso de informação, mas a falta de um filtro eficiente. “A palavra “simultânea” é traiçoeira. As pessoas andam e falam ao mesmo tempo. Ou andam, pensam e falam. E por aí vai. Na Antiguidade também era assim. Eu não tenho dúvidas de que certas combinações são uma má ideia. Não tente resolver problemas matemáticos enquanto estiver fazendo sexo. A multitarefa nos dá energia e traz fertilidade ao pensamento se fizermos da maneira adequada“, explica.
Todavia, há quem não acredite na eficiência dessa propalada característica da geração Y.
Mais do que desenvolver constantemente inúmeras ações, há o problema da distração, da quebra sistemática da concentração. Como num estado de sono ruim, podemos acordar facilmente.
Na prática, estamos sempre alerta, mas pouco conscientes. Ademais, retomar o foco de uma tarefa não ocorre de forma instantânea. Ou seja, podemos até realizar mais de uma atividade por vez. Todavia, o resultado pode não ser satisfatório.
Interessado em colocar a prova seu talento multitask? Faça esse teste. A dica foi da neurocientista Suzana Herculano-Houzel, que abordou o assunto em sua coluna de hoje na Folha de São Paulo. Ela explica porque não conseguimos nos dedicar alternadamente a mais de um objetivo:
Por uma limitação intrínseca do cérebro, tudo o que conseguimos fazer é dividir nossa atenção ao longo do tempo, alternando entre um objetivo e outro, mas sempre dando atenção a uma coisa de cada vez. Como diria Lavoisier, dois pensamentos não ocupam o foco de atenção do cérebro ao mesmo tempo.
Veja também
Informação + atenção
