TTC: quando Charles Aznavour encontra o Outkast

Chico Buarque já declarou recentemente:

“O pessoal da periferia se manifestava quase sempre pelas escolas de samba, mas não havia essa temática social muito acentuada, essa quase violência nas letras e na forma que a gente vê no rap. Esse pessoal junta uma multidão. Tem algo aí.”

Já Nelson Motta foi mais longe:

“O rap -acrônimo de Rhythm and Poetry-, inventado por negros americanos pobres (como o jazz e o funk), é a mais livre e democrática forma musical já criada. Embora muitos ainda duvidem que seja música.

O fato é que a consagração popular em todo o planeta o confirma como um novo formato musical do século 21. Como foram a ópera no século 19 e a canção popular música-e-letra no século 20.”

O rap, já não tão novo assim, agora é reinventado. Da França – que já nos deu uma leitura mais “humana” da eletrônica com o Air – vem o TTC. Seu álbum mais recente, “Bâtards sensibles”, é um achado. São músicas dançantes, que fogem da regra música-gritada-e-refrão-feminino vigente no gênero.

Destaques para “Le chant des hommes”, “Bâtard sensible” e “Catalogue”. Para quem se interessou, tem para todos os gostos: há o disco normal, com doze músicas; o álbum duplo (sendo o segundo CD apenas instrumental) e a versão incidental do mesmo disco.

Há ainda outros nomes bacanas surgindo: Streets, na Inglaterra e Orichas, de Cuba. Atualmente, o rap já não pertence somente aos EUA. Nada mais natural. Não andam dizendo que o rock japonês e o canadense fazem todo o sentido?