Uma nova forma de fazer política (on-line)

A atual eleição norte-americana à presidência marcou uma nova forma de se usar a tecnologia. Barack Obama foi o destaque, potencializando o uso da internet ao se manter presente em inúmeras ferramentas da web 2.0 (Youtube, Twitter etc.). O perfil do candidato no Facebook, por exemplo, se tornou um dos mais populares da rede social.

Além disso, utilizou a rede para conseguir recursos para sua campanha (US$ 640 milhões, grande parte proveniente de pequenas doações), manter seus apoiadores informados (o candidato revelou o nome do seu vice via SMS) e construir uma sólida base de dados, transformando muitos deles em voluntários.

Como gozou de grande apoio da população -principalmente dos mais jovens- e de artistas, a campanha de Obama foi pródiga em disseminar virais. Dois momentos de destaque: o vídeo criado por Will.i.am (Black Eyed Peas), que conta com várias celebridades e que foi inspirado num discurso feito por Barack Obama (veja abaixo), foi visto milhões de vezes. Outro momento de grande repercussão foi o comício feito pelo candidato democrata, em Berlin, para mais de 200 mil pessoas. Muitos jovens tiraram fotos e filmaram o momento. Imagens como a que abre esse texto foram bastante divulgadas na rede.

Não se trata de algo propriamente novo. Há quatro anos, Howard Dean, então pré-candidato à presidência e atual presidente do partido democrata, conseguiu visibilidade durante as primárias usando uma tática similar. A mesma equipe dessa campanha foi a responsável pela criação do projeto Obama.com.

Caminho distinto

Já o oponente de Obama, o republicano John McCain, não conseguiu bons resultados on-line. Mas até ele, que dizia ter dificuldade para enviar e-mails, inovou. Sua filha, Meghan, criou um blog para revelar os bastidores da campanha, possibilitando uma perspectiva diferente para se acompanhar uma campanha eleitoral.

Novas táticas

A grande mídia aproveitou a ocasião para testar inúmeras ferramentas on-line, muitas delas relacionadas a vídeos e newsgames. Também aproveitaram para disponibilizar trechos de debates e reportagens em seu sites ou em projetos on-line. Como a página de hospedagem de vídeos Hulu. Pertencente aos grupos NBC Universal e News Corp, trazia material jornalístico de praxe e vídeos de esquetes do programa humorístico Saturday Night Live (SNL). John McCain e sua vice, Sarah Palin, passaram por lá, bem como Hillary Clinton, então pré-candidata pelo partido democrata.

Em relação aos sites, o coletivo de blogs The Huffington Post, de tendência mais liberal, viu sua audiência e seu prestígio aumentar, muitas vezes pautando os demais meios de comunicação. Na frente conservadora, destacou-se o Drudge Report.

Obviamente, também houve espaço para denúncias via blogs, divulgação de vídeos com momentos constrangedores dos candidados etc. Até a conta de e-mail de Sarah Palin no Yahoo! foi invadida.

Qual o resultado?

Maior utilização da internet para obter conhecimento, troca de idéias e criação de conteúdo pelos usuários. A importância da rede nessa campanha foi expressiva, mas não pode ser encarada como único fator importante. Também influenciaram a grande rejeição ao atual presidente, George Bush, uma guerra em curso questionada (a Guerra do Iraque) e ainda uma crise econômica. Esses três pontos foram importantes para a rejeição ao candidato da situação, John McCain.

Ademais, há também as características peculiares da realidade norte-americana, como um processo eleitoral em que o voto popular não garante a vitória nas urnas (o que conta são os pontos que os estados representam) e a tradição do país em que quase sempre os filhos herdam a orientação política dos pais.

De toda forma, o que pareceu ser novo nesse ano, deve virar uma tendência nas próximas eleições (muito provavelmente em outros países). Acima de tudo, separar os elementos da comunicação em receptores e emissores se torna mais difícil. Esses conceitos já se misturaram.

Enquanto isso, no Brasil, o TSE limitou o uso da internet nas últimas eleições municipais.