Uma "sena" inesquecível

“O pior é que ultimamente, com tanta mídia gratuita por aí, eu tenho notado muita gente se empolgando e embarcando na onda de “crítico matador”, e simplesmente querendo fazer o papel do grande sábio e conhecedor de todos os assuntos, criticando a tudo e a todos sem o menor pudor – e na maioria das vezes, sem a menor autoridade para tal.”
Paulo César M. Jeveaux

Não me leve a mal, sou fã do Twitter. Só que muitas vezes o papo soa como o programa da Luciana Gimenez, em que o convidado é especialista em uma área, mas é instado a falar sobre os mais diversos temas. No Twitter, isso é amplificado. Muitas vezes, descambando para o criticismo matador. Nesse show de calouros moderno, muitos disputam o papel de Pedro de Lara das mídias sociais.

Recentemente, uma das polêmicas ocas do Twitter foi sobre o erro gramatical cometido pela filha da Xuxa, Sacha, no serviço de mensagens curtas. Acho não apenas tola, porque ganha uma  dimensão que o assunto não possui, mas também injusta. Quando o criticismo agudo não poupa nem deslize gramatical de criança, é bom refletir sobre isso.

Eu mesmo já cometi erros online. E vou cometer outros. Não que trate meu texto com desleixo, apenas acredito que a dinâmica da internet faz com que, muitas vezes, o fator urgência na divulgação resulte em alguns equívocos (é só ver o número de matérias em sites jornalísticos mostrando várias atualizações depois da publicação).

Para quem vive de comunicação, é sempre bom ficar atento a erros de grafia, mas também de concordância, atentar para a conjugação correta dos verbos etc. De toda forma, se para os que vivem da escrita o erro é possível, o que dirá uma criança? Lembro-me de um erro publicitário clássico. A propaganda natalina deveria anunciar a chegada de Papai Noel. Mas, ao invés dos dizeres “Santa is coming to town”, o anúncio saiu “Satan is coming”.

Sacha cometeu um erro eloquente? Se uma pessoa está em formação, e esse equívoco vira alvo de troça, estamos mal. Adoro e louvo o humor, mas não sei se uma criança tem maturidade para levar na esportiva essa situação. Se algumas pessoas aderiram ao Free Maísa, acho curioso agora terem uma atitude sem noção nessa situação.

Ademais, as novas gerações escrevem de uma forma mais, digamos, “solta”. Recentemente, a PC World trouxe uma matéria com os 40 produtos, técnicas e serviços que morreram ou estão perto da extinção. Uma delas seria “seguir a gramática e a pontuação”:

As redes sociais e os mensageiros instantâneos modificaram a forma como escrevemos. Mesmo e-mails estão sofrendo desse mal, das abreviações e criações de novas gírias.

Não quero dizer que errar está liberado mas… é uma criança! Fico muito mais contrafeito quando vejo desleixo semelhante em atividades profissionais (recebo cada e-mail…). Em alguns casos, o retrabalho é quase obrigatório. Já vi diagramação e texto sem tanto esmero pois alguns profissionais deixam a tarefa de revisão para editores. Oferecem um rascunho como trabalho final.

Não estou dizendo que concordo com a reação da mãe. Mas compreendo a atitude, já vi muitos pais reagindo de forma exacerbada quando avaliam que o filho está sendo atacado. Esse caso me lembra uma frase da minha mãe que, quando questionada por mim sobre algo que achava injusto, ela respondia “quando tiver seu filho, você vai saber”. Ela me dizia que também não entendia algumas atitudes da minha avó, que respondia da mesma forma.

Esse é apenas um exemplo de alguns problemas que vejo na comunicação em redes sociais. Volto ao tema depois.

PS - Tem gente que gosta de mencionar corretamente o login (@nomedapessoa) de quem está citando no Twitter. Nesse caso, vi muitas pessoas escrevendo apenas o nome Xuxa, e não @xuxaMeneghel. Pergunto-me porque.