Uma sonoridade menos barroca: Sigur Rós

Eis um grande disco que foi pouco comentado no Brasil: “Takk”, do Sigur Rós. Ao contrário de “()”, esse não é eclipsado por esquisitices. O estranho disco intitulado “parênteses” possui músicas longíssimas (7 minutos é pouco) e nenhuma das faixas tem título. Outras peculiaridades persistem: a banda toca num dialeto próprio (fãs de Tolkien?).

“Takk” não tem nenhuma música tão boa quanto às do primeiro álbum da banda. O que não chega a ser demérito. Em “Agaetis Byrjun” existia a bela “Svenfn g Englar”, cujo polêmico clipe trazia portadores de deficiência mental vestidos de anjos. No final, um beijo na boca entre eles. Há quem tenha visto “apelação”.

Muitos encaram dessa forma: se não for fácil de pronto, já é logo tachado de “cabeça”, algo pejorativo. Como ocorreu há algum tempo no extinto Free Jazz (atual Tim Festival), quando o Sigur Rós fez uma apresentação que dividiu o público. Muita gente saiu no meio da apresentação pois achou o som “tedioso”. Decerto, não tinha escutado a música do grupo antes e foi conferir a apresentação apenas por causa do grande alarde em torno da banda.

Para quem não sabe, o Sigur Rós é da Islândia, país de 200 mil habitantes que já deu ao mundo a extraordinária Bjork. O ex-VJ da MTV Fábio Massari já esteve por lá e gostou tanto que escreveu um livro sobre a cena musical do local. Outro que baba pelo país é Damon Alban, o vocalista do Blur (atualmente mais vocalista de outros projetos, como o Gorillaz).

Voltando a “Takk”. Além de deixar muitas das esquisitices de lado (agora as músicas têm nomes), o álbum é o mais palatável da banda. No que perde em rebuscamento em relação ao primeiro disco, ganha ao se aproximar do público (o que não deve se entendido como concessão). Com isso, o Sigur Ros se distancia de outros grupos dos quais geralmente é associado, como Mogwai, Mum ou Godspeed You Black Emperor.

Destaque para as músicas “Glosoli”, “Hoppipolla” e “Gong”.