Vida digital 3.1 (ou por que estar na internet?)

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O novo papel da indústria cultural dá margem a muitos debates: o consumo da cultura está cada vez mais acelerado, os novos rumos da indústria fonográfica, como monetizar atividades artísticas e até a noção de tornar o fã em vilão.

Todavia, o fato que cada vez mais me chama atenção nisso – e que procuro trabalhar na minha atividade de consultoria de comunicação – é como a internet poderia ser melhor aproveitada. Isso porque, na maioria das vezes, ela ainda é vista como plataforma de divulgação, quando poderia ser utilizada para outras finalidades.

Os dados sobre características dos usuários podem servir de subsídio para oportunidades comerciais. Exemplo: se muitas pessoas acessam o site de um artista de um determinado estado, há ali um público para consumir o “produto desse artista”. Esse é apenas um exemplo. Essa possibilidade de análise de informações é definida como Revolução Social dos Dados pelo ex-cientista chefe da Amazon.com, Andreas Weigend.

Fica até difícil tentar pavimentar outros caminhos, quando se nota que muitos artistas ainda não possuem uma estratégia de presença on-line (muitos não tem nem o básico, como perfis em redes sociais). Pior: há ainda os que encaram a internet como inimiga, não percebendo que o cenário mudou. Mesmo os que usam a rede para divulgação confundem conversa com monólogo, deixando de se aproximar dos fãs (é só ver o número de perfis de artistas com inúmeros seguidores, mas que pouco seguem).

Evidentemente, um artista não conseguiria dialogar com tantas pessoas, por isso é necessário utilizar profissionais especificamente para essa atividade. Mas isso não seria propriamente novidade. É comum artistas terem equipes para responder cartas de fãs. Como sempre afirmo, a internet nem sempre cria novos padrões, muitas vezes ela potencializa características já existentes ou torna possível demandas reprimidas. Evidentemente, tecnologia e consumidores dialogam, daí surgem novos produtos, hábitos, possibilidades etc.

Quando alguém me questiona sobre como será o cenário profissional de comunicação, afirmo que as mídias sociais podem abrir novas oportunidades (como autônomo ou num emprego). Há algum tempo as faculdades orientam os alunos mais para trabalhar nos meios de comunicação (jornais, rádios, TVs etc.). Na prática, o mercado de assessoria de comunicação absorvia a maior parte dos formandos, até porque não há vaga para tantos jornalistas.

Em relação a empresas, vale o mesmo. Muitas vezes, fala-se das mídias sociais apenas para o gerenciamento da marca (branding), mas a grande rede pode ser uma ferramenta bastante útil para gerar lucro (mapeamento dos hábitos dos consumidores que servem de subsídios para oportunidades comerciais, venda direta de produtos e serviços etc.).

Não só. Esse é apenas outro aspecto que pode ser utilizado, mas há inúmeras ramificações, tais como: utilizar de forma efetiva as novas tecnologias para o trabalho (sem “respeitar” fronteiras geográficas), para novas abordagens na educação, colaboração artística etc.

O trabalho de conhecer esses novos espaços e a definição de como ocupá-los ainda precedem essa utilização mais ampla das novas tecnologias, mas é importante que se tenha, quando possível/necessário, uma pespectiva mais abrangente.

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Imagem via Flickr de ariel martini