Violência banal: 40 anos de Laranja Mecânica
40 anos depois, Laranja Mecânica continua atual. Depois de virar filme (pelas mãos do genial Kubrick) e peça, o livro de Anthony Burgess mostrasse premonitório em descrever uma sociedade em que a violência é banal.
O autor ganhou vários prêmios literários, escreveu 32 romances e 16 obras não fictícias. Mas é por Laranja Mecânica que ele é conhecido mundialmente. Apesar da adaptação para o cinema ser considerada um clássico, o escritor não gostou, principalmente da mudança no final.
No filme, o personagem principal se vende ao sistema enquanto no livro ele descobre que a maturidade transforma todo homem numa “laranja mecânica”. Por isso, o autor incluiu na peça escrita por ele a partir do romance uma cena em que o próprio cineasta é espancado por um grupo de rapazes.
Burgess certa vez afirmou:
“O ser humano é dotado de vontade. E pode usá-la para escolher entre o bem e o mal. Se só pode fazer o bem, ou só pode fazer o mal, é uma laranja mecânica, significa que tem aparência de um organismo adorável, com cor e suco, mas que na realidade é um brinquedo mecânico para ser manipulado por Deus ou pelo Diabo ou (que o está substituindo cada vez mais) pelo todo-poderoso Estado. É tão inumano ser totalmente bom quanto totalmente mau. O importante é a escolha moral.”
