Você já inovou hoje?

Esse é o título da entrevista publicada que a Você S/A fez com o professor norte-americano Gary Hamel, da escola de negócios inglesa London Business School.

Segundo Hamel, para inovar em qualquer área, você tem de questionar o que acredita constantemente. “Os gestores têm crenças sobre como liderar, organizar, motivar, só que tratam algumas delas como regras científicas”, completa.

Como exemplo, ele cita o Google e uma empresa indiana de tecnologia chamada HCL Technology, cujo modelo é construído em torno do princípio da responsabilidade inversa. A máxima é: “Nós queremos os gerentes puxando o saco dos empregados”.

Se o funcionário tem uma dúvida, reclamação ou discorda de uma decisão, ele preenche uma ocorrência para o chefe e aquilo fica disponível para consulta de todos. A ocorrência só pode ser encerrada pelo próprio empregado.

O gerente tem de ir ao subordinado, conversar, descobrir qual o problema e resolver a situação. Os chefes são avaliados pelo número de ocorrências que recebem e o tempo gasto para solucionar a questão.

“Acho que a maioria das companhias não estaria disposta a implantar um sistema em que o empregado, como um policial de trânsito, pode pedir ao gerente que encoste o carro para multá-lo”, avalia.

Ao ser questionado sobre quais as competências fundamentais para um líder nos dias de hoje, recomendou:

“Em primeiro lugar, humildade. Você tem de reconhecer que aquilo em que acredita é apenas uma hipótese e deve estar aberto a outros pontos de vista. Em segundo lugar, a missão. O líder tem de enxergar no negócio mais do que um modo de ganhar dinheiro. As verdadeiras grandes organizações têm um propósito que transcende a riqueza dos acionistas. Se você quer inspirar pessoas, atrair os melhores funcionários e retê-los, tem de ajudar a estabelecer uma missão para a sua organização que vá além da lucratividade.

Também é preciso ter empatia. Líderes têm de ser bons ouvintes e pensar não apenas em fazer sua equipe perseguir os objetivos da organização, mas criar um ambiente no qual eles possam alcançar seus próprios objetivos. Em quarto lugar, a curiosidade. Muitas vezes, as mudanças no mundo surpreendem os gestores. Um líder tem de dedicar algum tempo para olhar além da esquina, para áreas como tecnologia, ambiente regulatório e mercado consumidor.”