Cultura antiautoridade, antiespecialista & antisaber

A cultura antiautoridade, que se torna hegemônica nos anos 60 e ganha na internet sua plataforma perfeita –por ser acessível, interativa e horizontal–, é responsável por alguns dos maiores avanços do Ocidente, dos quais os direitos civis são o caso mais visível.

Por outro lado, ela facilmente se transforma numa cultura antiespecialista. Que vem a ser uma cultura antisaber. É outra característica ambígua da democracia: por ser um regime de maiorias, suas manifestações e demandas são as do pensamento médio, ou seja, leigo. Quando não obscurantista: […] basear todas as decisões em plebiscitos resultaria –para começar– em criacionismo nas escolas.

É para proteger minorias, planejamento estratégico e demandas complexas que existem as instâncias intermediárias, idealmente baseadas no acúmulo de conhecimento científico, histórico e social. O representante típico delas tem tido pouca voz: com seu tom de bom aluno, suas planilhas áridas, sua racionalidade sem carisma, ele está perdendo a batalha –por cansaço ou intimidação– para a militância numerosa, barulhenta e apaixonada.

[…] Técnica sem política é o caminho para o elitismo autoritário. Política sem técnica é um convite à bagunça paralisante.

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