Cultivando laços verdadeiros

 

 

Na edição desse ano, o festival SXSW 2019, evento que enfoca inovação e economia criativa, escolheu para a abertura do encontro uma pesquisadora de temas demasiadamente humanos (como empatia, insegurança e laços sociais): Brené Brown. Por isso, resgato a passagem de Brown pela TED. Nessa ótima palestra, ela fala sobre como a vulnerabilidade influencia as relações interpessoais e a construção de nossas identidades.

Num mundo que valoriza posições polarizadas, é possível construir conexões genuínas? Em sua pesquisa, Brown explorou o que nos impede de fazer conexões verdadeiras. Quando somos dominados pelo medo e a vergonha, julgamos não merecer laços sociais fortes.

Segundo Brown, ao invés de encararmos a questão, nós fazemos o incerto parecer certo. “Minha religião é a correta; suas crenças, erradas”. Na política, substituímos o debate pela necessidade de apontar culpados. Seguimos com esse padrão, pois “acreditamos” que nossos atos não impactam outras pessoas.

Vivemos num mundo vulnerável, mas decidimos ignorar nossos sentimentos, reflete Brown. Anestesiamo-nos gastando muito, comendo em excesso, usando remédios em demasia etc. Para ela, não é possível contornar essas questões seletivamente. Quando anestesiamos sentimentos pesados, também comprometemos a alegria, a gratidão e a felicidade.

Iniciamos um ciclo nocivo, de fuga, no qual nos entregamos ao consumo. Distanciamo-nos, assim, de sermos autênticos e reais. “Vulnerabilidade é o berço de inseguranças, mas também da criatividade, do pertencimento e do amor”, pondera.

Há pessoas que compreendem isso, chamados por Brown de corações-plenos. São indivíduos que aceitam o imponderável da vida. Em comum,  cultivam a coragem (de serem imperfeitos), compaixão (consigo e com os outros, nessa ordem) e a… Vulnerabilidade. Ao invés de prever e controlar, abraçam novos caminhos, mesmo sem a certeza do sucesso.

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