Centennials, a geração determinada

Millennials/Geração Y? Vocês já são notícia antiga. Ao invés da turma que nasceu na década de 1980 (ou final da década anterior, segundo alguns autores), agora quem aponta tendências são os Centennials, aka geração Z, os indivíduos que completam 18 anos em 2015.

A AdAge fez um bom levantamento sobre o assunto. Por ser uma publicação sobre propaganda, o enfoque do texto recai sobre o aspecto comercial. Como todo filho caçula pode atestar (eu sou um deles), só há coisas positivas a serem ditas a respeito do novo grupo. Para os publicitários, os últimos filhos do século passado são mais práticos, empreendedores e criativos que a turma anterior.

Não há uma única plataforma para alcançá-los. A estratégia é perseguir o que desponta no momento. Utilizar ferramentas incipientes, como o Periscope, é uma das tônicas de divulgação.

Trata-se de uma geração que busca projetar sua marca pessoal, querem que sua personalidade seja percebida. Para isso, tomam riscos, adoram experimentar. Mas com prudência, principalmente em relação ao consumo. Antes de comprar qualquer produto, eles se informam bastante.

A ideia de posse como status perde força: alugar e compartilhar são práticas comuns. Além de ser a geração com mais acesso a conhecimento, pesa o fato de terem crescido observando os mais velhos lidarem com a recente crise econômica mundial.

Algumas dessas características são associadas a jovens desde… sempre. Há quem questione certos padrões, como a inclinação à imprudência, o destemor em relação a riscos. Outro ponto importante é que, por se tratar de uma revista norte-americana, a base das informações mira os jovens do primeiro mundo.

De fato, há qualidades partilhadas com a geração Y, grupo que aglutinou os primeiros nativos digitais. Todavia, é possível perceber uma distinção relevante. Mais importante do que olhar essas generalizações é observar a intensidade da sua manifestação. Os jovens estão ainda mais precoces. Não é raro esbarrar em notícias sobre adolescentes que criaram apps/startups de sucesso, dentre outras iniciativas de grande fôlego.

Até que ponto essa ambição é partilhada por grande parte das pessoas da mesma geração ou se apenas representam a inventividade dos mais capacitados e dedicados- que existem em todos os períodos; os atuais apenas têm acesso a uma variedade maior de opções- é algo a conferir.

A tecnologia ainda vai dar muito trabalho

Anda preocupado com a precarização do emprego? Melhor se preparar para os novos tempos. A tecnologia ainda vai dar muito trabalho. No mal sentido: a terceirização será tomada pelas máquinas.

A Folha comenta o livro “Rise of the Robots”, de Martin Ford. A obra aborda os impactos da automação no mercado de trabalho.

Viajar no tempo para destruir a Skynet não resolverá a questão. De fato, não precisamos recuar ou avançar o relógio: uma possível solução já existe. Se é contra programas de transferência de renda, como o bolsa família, talvez seu futuro dependa de iniciativas do tipo. Para Ford, implementar o “dividendo cidadão”, um ajuda mensal para todos os adultos, seria a solução. Antes de caracterizá-lo como luddista, confira suas ideias:

“A argumentação de Ford é que nossa atual revolução tecnológica é diferente das anteriores. A maioria dos economistas discordaria. A posição deles é que os deslocamentos atuais são semelhantes aos registrados na transição da agricultura para a indústria. […] Da mesma forma que ex-trabalhadores agrícolas encontraram empregos em fábricas, os ex-trabalhadores industriais demitidos foram reempregados pelo setor de serviços. A revolução da tecnologia da informação não será diferente, dizem os economistas.

[…]Ford encontra dois grandes furos nessa visão otimista do futuro. Os efeitos da revolução atual são generalizados. […] Quase qualquer trabalho que envolva sentar diante de uma tela e manipular informação está desaparecendo, ou o fará em breve. Nenhum ser humano consegue concorrer com os custos da automação em queda impiedosa.

[…] Ao desviar os lucros da nova economia para alguns poucos, os robôs enfraquecem o principal propulsor de crescimento –a demanda da classe média.
Conforme a força de trabalho se torna pouco econômica com relação às máquinas, o poder aquisitivo diminui.”

Instant Articles

Vídeo

Belo vídeo de apresentação do Instant Articles. Os recursos impressionam, como evidencia o trabalho realizado pelo NY Times sobre a ginasta olímpica Laís Souza (com direito a versão em português).

Se alguns produtores de conteúdo estão ansiosos para também testar o recurso, outros questionam porque essas empresas optaram por esse caminho. O Nieman Journalism Lab indaga: foi uma jogada inteligente em sintonia com os atuais hábitos de consumo da informação ou uma rendição?

Facebook, o entregador de jornais em tempo integral

A partir dessa quarta (13/05), o site Poynter indica que o New York Times pode passar a entregar textos completos dentro do próprio Facebook. O recurso, intitulado “Instant Articles”, também deve ser utilizado por outras publicações, como BuzzFeed e National Geographic.

Hospedar conteúdo na rede social trará ganhos de audiência e de receita, já que boa parte do valor dos anúncios cai direto na conta das publicações. O convite partiu do Facebook, essa intranet que abocanha toda a internet.

O caçador de cliques

Como descobrir o que vai se espalhar pela internet? Neetzan Zimmerman, o “Guru do Viral”, explica seu método. Inicialmente, o curador de conteúdo deve deixar de lado seus interesses pessoais.

Para identificar os futuros hits da internet, é preciso apostar nas histórias que podem gerar maior impacto emocional no público: “Qualquer coisa que possa capturar a imaginação de um grupo grande merece atenção… e eu não julgo”.

É só o começo. Os demais pontos listados por Zimmerman você encontra no YouPix.

Como chegamos até aqui

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A tecnologia da higiene segue, daí, para detergentes. A cozinha caseira fica limpa. Técnicas mais e mais sofisticadas chegam a hospitais e, de lá, para as salas sem um grão de poeira necessárias para a confecção de microchips. O computador ou o celular só existem por conta do pesado investimento em limpeza.

O ar condicionado permitiu a popularização do cinema. O controle da luz artificial e do vidro tornam possível a comunicação digital por fibra óptica. A habilidade de medir com precisão a hora é o que possibilita a geolocalização por GPS. E por trás de cada um destes avanços estão homens sem a fama de um Bill Gates ou de um Steve Jobs. Homens igualmente revolucionários.

O esgoto também permitiu acesso à água encanada (e o surgimento do metrô). A limpeza da rede hidrográfica, importante para garantir água potável, possibilitou o surgimento de piscinas públicas. Elas, por sua vez, modificaram costumes: os trajes ficaram menores, não apenas os de banho.

A higiene resultou em mais saúde, claro. Mas não só. O asseio estava em todo lugar, tornando os ambientes mais assépticos, algo necessário para a criação… dos microchips. Pedro Doria comenta o livroComo chegamos até aqui”, do ótimo Steven Johnson.

Execução sumária

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A tecnologia tem um papel decisivo aí, claro: na rapidez com que um veredito se espalha nas redes, na recompensa imediata em popularidade para os inquisidores. Também na duração do sofrimento das vítimas

Michel Laub, sempre ótimo, comenta o livro “So You’ve Been Publicly Shamed” (“então você foi humilhado publicamente”, Riverhead Books, 304 págs.), de Jon Ronson. A obra aborda nossa capacidade de lançar, através das mídias digitais, julgamentos rápidos e que geralmente suplantam -e muito- o deslize cometido