Vida móvel

“[…] o uso da internet móvel é muito diferente daquele ao qual estávamos acostumados, e que se resumia a uma única e longa sessão de navegação. Hoje o comportamento do consumidor pode ser mais bem descrito como uma sucessão de “micromomentos”, aquelas interações fragmentadas que acontecem ao longo do nosso dia — uma espiadinha na fila do banco, outra na sala de espera do consultório, ou no ônibus, no táxi, na sala de cinema enquanto o filme não começa… enfim, naqueles espaços antes em branco que aprendemos a preencher com os nossos gadgets. Nossos celulares nos acompanham por toda a parte, e olhamos para eles mais de 150 vezes por dia.”

– Cora Ronai, em ótimo texto que traz inúmeros dados sobre a relação dos brasileiros com celulares.

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Viver para postar

Dificílimo reconhecer a felicidade quando ela ainda está no recinto. Caso reconheça, é fundamental fotografar, escrever, desenhar, filmar. Para isso servem nossos smartphones: para estocar os mais diversos tipos de felicidade em pixels, áudios e blocos de nota. Às vezes a necessidade de registro pode parecer uma fuga do presente, mas, pelo contrário, é a documentação da felicidade que estica o presente para a vida toda.

Gregorio Duvivier

Cinema mobile

Tangerine

Filmado inteiramente com com iPhone 5s (com o aplicativo FiLMiC Pro e acompanhado de lentes anamórficas), a dramédia Tangerine (2015), de Sean Baker, foi bem recebida no festival de Sundance.

Não é a primeira experiência do gênero. Vencedor da categoria melhor documentário do Oscar, Procurando Sugar Man (Searching for Sugar Man, 2012) foi parcialmente registrado com um iPhone (app 8mm Vintage Camera).

Comunicação através de imagens

“A essência da fotografia está sendo alterada. Ela foi criada como um meio de capturar a memória. Agora usamos a fotografia como um meio de comunicação”

– Bernardo Hernández, principal executivo do Flickr, em matéria da Folha sobre como celulares impactam o registro fotográfico.

Economia pós-digital

Citar

Há uma definição, do Douglas Adams, que diz que se (algo) veio antes de nascermos não reconhecemos como tecnologia. Se surgiu entre seus 15 e 35 anos, é cool, eu quero ter. Mas se surge depois dos 35, não deveria existir.

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O capitalismo é uma estrutura artificial, primitiva. Não se sustenta. A economia compartilhada, sim. A cultura do “ter para ser” está morrendo. Andar de bicicleta é mais moderno que de carro. A sociedade mede sucesso por números. Nosso grupo, por engajamento, impacto positivo, autonomia. A economia pós-digital já nasceu.

Tiago Mattos, publicitário e futurista