O desafio de estar presente

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Muitas vezes a necessidade de estar em companhia decorre de precisarmos de alguém para afirmar nossa identidade. Damos mais importância ao que o outro vai dizer do que àquilo que nós mesmos pensamos. A pessoa coloca um post no Facebook ou uma foto no Instagram e fica na expectativa de quantos vão gostar e fazer comentários. O que é isso? Uma necessidade de reconhecimento. O problema com essas tecnologias é que a gente se conecta com o mundo e se desconecta de nós mesmos, porque a mente está sempre em busca da opinião do outro. Isso aumenta a dificuldade de estar presente, no momento presente, no lugar onde eu estou.

[…] O importante não é estar sozinho ou com alguém. Quando conseguimos ficar em equilíbrio com nós mesmos, estamos bem – não importa se estamos sós ou com companhia. Por isso, convido cada um a observar a si mesmo e perguntar: eu tenho dificuldade de ficar sozinho? Se sim, que tal dedicar um pouco de tempo para ficar só, sem medo? Estar sempre em companhia muitas vezes acaba sendo apenas uma forma de fugir de si mesmo.

Lama Michel Rinpoche, mestre budista da tradição tibetana. Um dos ouvidos do especial da Trip sobre ficar só.

Karma

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Temos aceitado que certas instituições nos espiem, fotografem e nos gravem na rua, mas desconfiamos de nossos semelhantes. O simples olhar de um desconhecido por mais de dois segundos pode ser muito incômodo […] Essa desconfiança é o que nos leva a estar mais confortáveis dentro dos nossos carros.

Óscar Monzón, fotógrafo que lançou uma série sobre como as pessoas se portam em seus automóveis (Karma). Vida íntima, também pública.

Utopia sem fronteiras

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Quem tivera a força de quando éramos capazes de abrigar tanta utopia! No entanto, não olho para trás, porque o hoje real nasceu das cinzas férteis do ontem. Pelo contrário, não vivo para cobrar contas ou para reverberar memórias.

Me angustia, e como, o amanhã que não verei, e pelo qual me comprometo. Sim, é possível um mundo com uma humanidade melhor, mas talvez, hoje, a primeira tarefa seja cuidar da vida.

Trecho do belo discurso que o presidente uruguaio, José Mujica na ONU, fez na Assembleia Geral da ONU.

Inveja como regulador social

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Nesse mundo, o ter é mais importante do que o ser apenas porque, à diferença do ser, o ter pode ser mostrado facilmente. É simples mostrar o brilho de roupas e bugiganga aos olhos dos invejosos. Complicado seria lhes mostrar vestígios de vida interior e pedir que nos invejem por isso.

O Facebook é o instrumento perfeito para um mundo em que a inveja é um regulador social. Nele, quase todos mentem, mas circula uma verdade de nossa cultura: o valor social de cada um se confunde com a inveja que ele consegue suscitar.