Jornalismo aprende a arte de narrar histórias kafkianas

O jornalismo, sempre tão sisudo, se rendeu ao improvável. O absurdo não é mais tão excêntrico assim, cravou a Pacific Standard. Antes conteúdo de nicho, agora é possível encontrar matérias que desafiam a realidade em todo lugar. Não me refiro a hoax ou criações humorísticas lidas como verdadeiras (vídeo abaixo). Experimente procurar #vanzonews no Twitter, uma hashtag guarda-chuva para conteúdo absurdo, e irá perceber que a tendência é séria.

 

Segundo estudo levantado pela Reuters no ano passado, 1/3 dos jovens norte-americanos apontaram os itens “diversão/estranho” como temática essenciais em sua cesta básica noticiosa. De tão presente na realidade, virou mainstream.

Muitas publicações impressas e sites lançaram editorias que abordam temas curiosos. Geralmente com grande retorno de audiência. Devido ao elevado volume de conteúdo, não dá trabalho alimentar esses espaços. De toda forma, Drew Curtis, do site Fark.com, focado em notícias absurdas, dá a receita para encontrar o exótico. Jogue no Google News os termos “Califórnia”, “nu” e “bêbado” e uma torrente de pautas bizarras surgirá na tela.

Manchetes curiosas não são uma demanda recente. No Brasil, o finado Notícias populares foi referência, embora muitas vezes embrulhasse lendas urbanas como informação verídica. O que mudou foi o alcance. E o tratamento editorial que o tema ganhou no mundo digital. Como a tendência é divertir, nem tudo é permitido. Fatos que envolvam crianças, violência exacerbada e atos cometidos por pessoas com doenças mentais não entram. Hoje, talvez os mais de 70 mil integrantes que um dia se reuniram na comunidade no Orkut “Anão Vestido de Palhaço mata 8” tivessem de procurar outro nome para batizar seu grupo voltado para nonsense noticioso.

Facebook alcança quase 2 bilhões de usuários

1,86 bilhão de pessoas estão conectadas ao Facebook. A maioria delas (94%) acessa a rede social através de celulares e tablets. Por isso, os relatórios do Facebook deixarão de dividir acessos móveis dos realizados através de computadores.

Para continuar sua rota de crescimento, o Facebook investirá ainda mais em vídeos. Até mesmo um concorrente ao Netflix estaria nos planos.

Vida móvel

“[…] o uso da internet móvel é muito diferente daquele ao qual estávamos acostumados, e que se resumia a uma única e longa sessão de navegação. Hoje o comportamento do consumidor pode ser mais bem descrito como uma sucessão de “micromomentos”, aquelas interações fragmentadas que acontecem ao longo do nosso dia — uma espiadinha na fila do banco, outra na sala de espera do consultório, ou no ônibus, no táxi, na sala de cinema enquanto o filme não começa… enfim, naqueles espaços antes em branco que aprendemos a preencher com os nossos gadgets. Nossos celulares nos acompanham por toda a parte, e olhamos para eles mais de 150 vezes por dia.”

– Cora Ronai, em ótimo texto que traz inúmeros dados sobre a relação dos brasileiros com celulares.

Centennials, a geração determinada

Millennials/Geração Y? Vocês já são notícia antiga. Ao invés da turma que nasceu na década de 1980 (ou final da década anterior, segundo alguns autores), agora quem aponta tendências são os Centennials, aka geração Z, os indivíduos que completam 18 anos em 2015.

A AdAge fez um bom levantamento sobre o assunto. Por ser uma publicação sobre propaganda, o enfoque do texto recai sobre o aspecto comercial. Como todo filho caçula pode atestar (eu sou um deles), só há coisas positivas a serem ditas a respeito do novo grupo. Para os publicitários, os últimos filhos do século passado são mais práticos, empreendedores e criativos que a turma anterior.

Não há uma única plataforma para alcançá-los. A estratégia é perseguir o que desponta no momento. Utilizar ferramentas incipientes, como o Periscope, é uma das tônicas de divulgação.

Trata-se de uma geração que busca projetar sua marca pessoal, querem que sua personalidade seja percebida. Para isso, tomam riscos, adoram experimentar. Mas com prudência, principalmente em relação ao consumo. Antes de comprar qualquer produto, eles se informam bastante.

A ideia de posse como status perde força: alugar e compartilhar são práticas comuns. Além de ser a geração com mais acesso a conhecimento, pesa o fato de terem crescido observando os mais velhos lidarem com a recente crise econômica mundial.

Algumas dessas características são associadas a jovens desde… sempre. Há quem questione certos padrões, como a inclinação à imprudência, o destemor em relação a riscos. Outro ponto importante é que, por se tratar de uma revista norte-americana, a base das informações mira os jovens do primeiro mundo.

De fato, há qualidades partilhadas com a geração Y, grupo que aglutinou os primeiros nativos digitais. Todavia, é possível perceber uma distinção relevante. Mais importante do que olhar essas generalizações é observar a intensidade da sua manifestação. Os jovens estão ainda mais precoces. Não é raro esbarrar em notícias sobre adolescentes que criaram apps/startups de sucesso, dentre outras iniciativas de grande fôlego.

Até que ponto essa ambição é partilhada por grande parte das pessoas da mesma geração ou se apenas representam a inventividade dos mais capacitados e dedicados- que existem em todos os períodos; os atuais apenas têm acesso a uma variedade maior de opções- é algo a conferir.

A tecnologia ainda vai dar muito trabalho

Anda preocupado com a precarização do emprego? Melhor se preparar para os novos tempos. A tecnologia ainda vai dar muito trabalho. No mal sentido: a terceirização será tomada pelas máquinas.

A Folha comenta o livro “Rise of the Robots”, de Martin Ford. A obra aborda os impactos da automação no mercado de trabalho.

Viajar no tempo para destruir a Skynet não resolverá a questão. De fato, não precisamos recuar ou avançar o relógio: uma possível solução já existe. Se é contra programas de transferência de renda, como o bolsa família, talvez seu futuro dependa de iniciativas do tipo. Para Ford, implementar o “dividendo cidadão”, um ajuda mensal para todos os adultos, seria a solução. Antes de caracterizá-lo como luddista, confira suas ideias:

“A argumentação de Ford é que nossa atual revolução tecnológica é diferente das anteriores. A maioria dos economistas discordaria. A posição deles é que os deslocamentos atuais são semelhantes aos registrados na transição da agricultura para a indústria. […] Da mesma forma que ex-trabalhadores agrícolas encontraram empregos em fábricas, os ex-trabalhadores industriais demitidos foram reempregados pelo setor de serviços. A revolução da tecnologia da informação não será diferente, dizem os economistas.

[…]Ford encontra dois grandes furos nessa visão otimista do futuro. Os efeitos da revolução atual são generalizados. […] Quase qualquer trabalho que envolva sentar diante de uma tela e manipular informação está desaparecendo, ou o fará em breve. Nenhum ser humano consegue concorrer com os custos da automação em queda impiedosa.

[…] Ao desviar os lucros da nova economia para alguns poucos, os robôs enfraquecem o principal propulsor de crescimento –a demanda da classe média.
Conforme a força de trabalho se torna pouco econômica com relação às máquinas, o poder aquisitivo diminui.”

Instant Articles

Vídeo

Belo vídeo de apresentação do Instant Articles. Os recursos impressionam, como evidencia o trabalho realizado pelo NY Times sobre a ginasta olímpica Laís Souza (com direito a versão em português).

Se alguns produtores de conteúdo estão ansiosos para também testar o recurso, outros questionam porque essas empresas optaram por esse caminho. O Nieman Journalism Lab indaga: foi uma jogada inteligente em sintonia com os atuais hábitos de consumo da informação ou uma rendição?

Facebook, o entregador de jornais em tempo integral

A partir dessa quarta (13/05), o site Poynter indica que o New York Times pode passar a entregar textos completos dentro do próprio Facebook. O recurso, intitulado “Instant Articles”, também deve ser utilizado por outras publicações, como BuzzFeed e National Geographic.

Hospedar conteúdo na rede social trará ganhos de audiência e de receita, já que boa parte do valor dos anúncios cai direto na conta das publicações. O convite partiu do Facebook, essa intranet que abocanha toda a internet.