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Sobre Cadé Conteúdo

Laboratório editorial dedicado a explorar tendências, lançamentos e processos criativos da cultura contemporânea. A partir de pesquisa e experimentação narrativa, crio identidades editoriais, estratégias de conteúdo, sites e newsletters para marcas, artistas e projetos culturais que desejam construir presença digital consistente.

Os “gêneros personalizados” da Netflix

O trabalho concluiu que a Netflix vem meticulosamente analisando ​​todos os filmes e programa de TV que se possa imaginar. Eles possuem um estoque de dados sobre entretenimento que é absolutamente sem precedentes.

Matéria da Atlantic desvenda os inúmeros gêneros temáticos específicos lançados pela Netflix. Ao todo, 76.897. Confira alguns no final do post. O material é tão inusitado que a Atlantic entregou ao público uma ferramenta de criação de micro-gêneros.

São descrições longas, elaboradas pelo algoritmo do Netflix a partir de metadados levantados inicialmente por uma equipe. Internamente, tais definições são caracterizadas como altgenres. Resultado: montaram um banco de dados de predileções cinematográficas.

Netflix: altgenres

  • Spy Action & Adventure from the 1930s
  • Cult Evil Kid Horror Movies
  • Visually-striking Foreign Nostalgic Dramas
  • Gritty Discovery Channel Reality TV
  • Mind-bending Cult Horror Movies from the 1980s
  • Gritty Suspenseful Revenge Westerns
  • Violent Suspenseful Action & Adventure from the 1980s
  • Time Travel Movies starring William Hartnell
  • Evil Kid Horror Movies
  • British set in Europe Sci-Fi & Fantasy from the 1960s
  • Critically-acclaimed Emotional Underdog Movies

Fotografia digital

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Para [Nick] Knight, a revolução democratizante propiciada pelas câmeras de celular é tão radical quanto a ocorrida nos anos 1960, quando o britânico David Bailey, ícone da fotografia, largou o tripé e começou a trabalhar com uma câmera de mão.

“Isso deu liberdade a ele e mudou o que a fotografia era, artisticamente. O mesmo vale para mim e o iPhone.”

Mas e quanto à lente do aparelho? “É absurdo que as pessoas pensem que todas as fotos têm de ter alta resolução. O que importa, em termos artísticos, é se a imagem funciona. A maquinaria com a qual se cria arte é irrelevante”, afirma o fotógrafo.

“A experiência fora do alcance do relato”

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Para um cronista de meio século atrás, digamos, o maior temor era a falta de assunto. Hoje é o contrário. […] Não que o mundo seja mais movimentado hoje. O que aumentou foram os veículos para que corram versões dos fatos. O modernismo errou ao decretar a morte da narrativa. Idem quem segue falando da morte da ficção. Pois o que mais há agora são narrativas ficcionais: o tipo de relato sobre nós mesmos, mediado pela idealização –tudo falso, portanto– que fazemos de nossa inteligência, cultura, humor e experiência social.

[…] Seria um bom final para este longo 2013: um pouco de vazio e tédio em vez do fetiche do registro e do movimento. Uma paisagem à beira da praia sem o filtro de um aplicativo. Nenhuma hashtag comentando o desempenho sexual de ninguém. A experiência fora do alcance do relato, a vida que não precisa ser classificada e explicada nos limites –sempre mais estreitos– da linguagem.

FestAruanda 2013

Vídeo

Hoje chega ao fim o FestAruanda 2013. Foi bacana participar mais uma vez da seleção dos curtas. Muitos filmes não podem ser assistidos online. São produções recentes, ainda em circulação nos festivais (não raro, tais eventos pedem ineditismo em relação a outras plataformas).

Todavia… Como no ano passado não rolou festival, decidimos resgatar alguns títulos de safras anteriores. Dique (vídeo acima) e Linear são ótimos exemplos. Ambos disponíveis na rede.

O desafio de estar presente

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Muitas vezes a necessidade de estar em companhia decorre de precisarmos de alguém para afirmar nossa identidade. Damos mais importância ao que o outro vai dizer do que àquilo que nós mesmos pensamos. A pessoa coloca um post no Facebook ou uma foto no Instagram e fica na expectativa de quantos vão gostar e fazer comentários. O que é isso? Uma necessidade de reconhecimento. O problema com essas tecnologias é que a gente se conecta com o mundo e se desconecta de nós mesmos, porque a mente está sempre em busca da opinião do outro. Isso aumenta a dificuldade de estar presente, no momento presente, no lugar onde eu estou.

[…] O importante não é estar sozinho ou com alguém. Quando conseguimos ficar em equilíbrio com nós mesmos, estamos bem – não importa se estamos sós ou com companhia. Por isso, convido cada um a observar a si mesmo e perguntar: eu tenho dificuldade de ficar sozinho? Se sim, que tal dedicar um pouco de tempo para ficar só, sem medo? Estar sempre em companhia muitas vezes acaba sendo apenas uma forma de fugir de si mesmo.

Lama Michel Rinpoche, mestre budista da tradição tibetana. Um dos ouvidos do especial da Trip sobre ficar só.

Karma

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Temos aceitado que certas instituições nos espiem, fotografem e nos gravem na rua, mas desconfiamos de nossos semelhantes. O simples olhar de um desconhecido por mais de dois segundos pode ser muito incômodo […] Essa desconfiança é o que nos leva a estar mais confortáveis dentro dos nossos carros.

Óscar Monzón, fotógrafo que lançou uma série sobre como as pessoas se portam em seus automóveis (Karma). Vida íntima, também pública.

Utopia sem fronteiras

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Quem tivera a força de quando éramos capazes de abrigar tanta utopia! No entanto, não olho para trás, porque o hoje real nasceu das cinzas férteis do ontem. Pelo contrário, não vivo para cobrar contas ou para reverberar memórias.

Me angustia, e como, o amanhã que não verei, e pelo qual me comprometo. Sim, é possível um mundo com uma humanidade melhor, mas talvez, hoje, a primeira tarefa seja cuidar da vida.

Trecho do belo discurso que o presidente uruguaio, José Mujica na ONU, fez na Assembleia Geral da ONU.

Haters Gonna Hate

“A internet é libertária, democrática, mas também faz você entregar sua privacidade e se relacionar com corporações como se fossem Deus ou a natureza. Elas dizem: “Você não precisa pagar nada”. E você se entrega acriticamente, porque a ideia de não fazer esforço é sedutora.
E há o narcisismo, a exposição no Facebook, que pega um ponto central. É perverso, a conquista vai em pontos frágeis da psique, você se sente uma celebridade. Do ponto de vista político, você acha que está usando, mas está sendo usado. O livro expressa esse desconforto.”

***

“Talvez [a internet] tenha acirrado algo que sempre existiu em potencial. Você não tem privacidade, mas pode ter anonimato, o que permite uma manifestação de imbecilidade sob a proteção do anonimato.
Estava incomodado com isso e pensei nesse narrador que representa o ódio absoluto, o anonimato da internet.”

Bernardo Carvalho,  em entrevista à Folha. O autor comenta temas correlatos ao seu novo romance, “Reprodução”.

O assunto também é abordado em outro título, “Viral Hate: Containing its Spread on the Internet” (“Ódio Viral: Contendo sua Dispersão na Internet”). Nele, Abraham Foxman e Christopher Wolf questionam se, em nome da liberdade de expressão, estamos propiciando o discurso do ódio.