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Sobre Cadé Conteúdo

Laboratório editorial dedicado a explorar tendências, lançamentos e processos criativos da cultura contemporânea. A partir de pesquisa e experimentação narrativa, crio identidades editoriais, estratégias de conteúdo, sites e newsletters para marcas, artistas e projetos culturais que desejam construir presença digital consistente.

Como funciona o algoritmo do Instagram

Thomas Dimson, engenheiro de software do Instagram, explicou, no evento Machine Learning @Scale 2017, quais critérios direcionam o feed de atividades do app. Com a adoção do algoritmo, os contatos que aparecem com mais frequência no Instagram são:

– Pessoas cujo conteúdo você curte costumeiramente;
– Pessoas com quem trocou mensagens diretas (DM);
– Pessoas que você procurou no sistema de busca;
– Pessoas que você conhece na “vida real”.

Ou seja, o que conta são as diversas formas de interação, não necessariamente o número de seguidores. Embora muito criticado em seu lançamento, o algoritmo surgiu para apresentar o que seria mais importante ao usuário, algo que o modelo anterior não dava conta. De acordo com dados do Instagram, quando organizado na ordem cronológica, 70% do conteúdo do feed escapava do usuário. Atualmente, o Instagram tem 600 milhões de usuários ativos. Desses, 400 milhões acessam a rede diariamente.

Vale ressaltar que a lista acima não está organizada hierarquicamente, visto que Dimson não estipulou tal ranking. Além disso, as informações remetem ao período de testes do algoritmo. Como em sua apresentação Dimson não indicou mudança, o Social Media Today, site no qual pesqueis esses dados, acredita que o direcionamento do período inicial deve persistir atualmente.

Para organizar a explosão do conteúdo online, as empresas digitais cada vez mais adotam algoritmos como bússolas da experiência do usuário, uma decisão controversa. O Facebook, símbolo maior dessa orientação, é bastante criticado por tentar prever quais conteúdos a pessoa estaria propensa a se envolver. Isso culminaria na criação de bolhas, que apenas amplificam nossas posições iniciais, diminuindo o alcance de pontos de vistas diversos.

Ademais, como lembra o advogado Ronaldo Lemos, as regras que regem os algoritmos raramente são reveladas por seus criadores. Sem informações públicas, a transparência é comprometida, até porque os dados não podem ser auditados externamente.

Geração Z

Apps

Após concentrarem seus esforços nos millennials (ou geração Y), os publicitários agora observam a ascensão de outro grupo, a geração Z. Formado por pessoas nascidas entre 1996 e 2010,  essa geração passeia pelo mundo digital desde cedo. Ou seja, não precisaram fazer a transição de um mundo dominado por tecnologias analógicas para o ciberespaço.

A Adweek, em parceria com a Defy Media, mapeou os hábitos de consumo de mídia desse grupo.  Entre as preferências, os  mesmos campeões de audiência. Mas a posição ocupada no ranking revela dados interessantes.

Para quem tem entre 13-20 anos, o YouTube reina absoluto: 95% dos jovens usam o serviço de vídeo do Google. Em seguida, aparece o Instagram (69%). A maior rede social online, o Facebook, empata com o Snapchat, com 67%. O Twitter ocupa a quinta colocação, com 52%. O “esquecido” Google+ (37%) aparece na frente de outros serviços mais badalados, como Pinterest (33%) e Tumblr (29%). 

Imagem via Flickr

Jornalismo datado

O big data está cada mais vez presente nas reuniões de pauta. Há quem diga que ele já assumiu como editor das publicações. Segundo a Columbia Journalism Review, duas visões dominam os debates.

Alguns criticam a importâcia das métricas pois evidenciar as escolhas do público faz com que assuntos importantes percam espaço para temas fúteis.

Por outro lado, defensores explicam que orientar decisões editorias a partir de dados cria um sistema mais democrático no ciclo de produção da notícia: os interesses do leitor passam a ser mais importantes que as preferências dos jornalistas.

Jornalismo aprende a arte de narrar histórias kafkianas

O jornalismo, sempre tão sisudo, se rendeu ao improvável. O absurdo não é mais tão excêntrico assim, cravou a Pacific Standard. Antes conteúdo de nicho, agora é possível encontrar matérias que desafiam a realidade em todo lugar. Não me refiro a hoax ou criações humorísticas lidas como verdadeiras (vídeo abaixo). Experimente procurar #vanzonews no Twitter, uma hashtag guarda-chuva para conteúdo absurdo, e irá perceber que a tendência é séria.

 

Segundo estudo levantado pela Reuters no ano passado, 1/3 dos jovens norte-americanos apontaram os itens “diversão/estranho” como temática essenciais em sua cesta básica noticiosa. De tão presente na realidade, virou mainstream.

Muitas publicações impressas e sites lançaram editorias que abordam temas curiosos. Geralmente com grande retorno de audiência. Devido ao elevado volume de conteúdo, não dá trabalho alimentar esses espaços. De toda forma, Drew Curtis, do site Fark.com, focado em notícias absurdas, dá a receita para encontrar o exótico. Jogue no Google News os termos “Califórnia”, “nu” e “bêbado” e uma torrente de pautas bizarras surgirá na tela.

Manchetes curiosas não são uma demanda recente. No Brasil, o finado Notícias populares foi referência, embora muitas vezes embrulhasse lendas urbanas como informação verídica. O que mudou foi o alcance. E o tratamento editorial que o tema ganhou no mundo digital. Como a tendência é divertir, nem tudo é permitido. Fatos que envolvam crianças, violência exacerbada e atos cometidos por pessoas com doenças mentais não entram. Hoje, talvez os mais de 70 mil integrantes que um dia se reuniram na comunidade no Orkut “Anão Vestido de Palhaço mata 8” tivessem de procurar outro nome para batizar seu grupo voltado para nonsense noticioso.

Facebook alcança quase 2 bilhões de usuários

1,86 bilhão de pessoas estão conectadas ao Facebook. A maioria delas (94%) acessa a rede social através de celulares e tablets. Por isso, os relatórios do Facebook deixarão de dividir acessos móveis dos realizados através de computadores.

Para continuar sua rota de crescimento, o Facebook investirá ainda mais em vídeos. Até mesmo um concorrente ao Netflix estaria nos planos.

Vida móvel

“[…] o uso da internet móvel é muito diferente daquele ao qual estávamos acostumados, e que se resumia a uma única e longa sessão de navegação. Hoje o comportamento do consumidor pode ser mais bem descrito como uma sucessão de “micromomentos”, aquelas interações fragmentadas que acontecem ao longo do nosso dia — uma espiadinha na fila do banco, outra na sala de espera do consultório, ou no ônibus, no táxi, na sala de cinema enquanto o filme não começa… enfim, naqueles espaços antes em branco que aprendemos a preencher com os nossos gadgets. Nossos celulares nos acompanham por toda a parte, e olhamos para eles mais de 150 vezes por dia.”

– Cora Ronai, em ótimo texto que traz inúmeros dados sobre a relação dos brasileiros com celulares.

Centennials, a geração determinada

Millennials/Geração Y? Vocês já são notícia antiga. Ao invés da turma que nasceu na década de 1980 (ou final da década anterior, segundo alguns autores), agora quem aponta tendências são os Centennials, aka geração Z, os indivíduos que completam 18 anos em 2015.

A AdAge fez um bom levantamento sobre o assunto. Por ser uma publicação sobre propaganda, o enfoque do texto recai sobre o aspecto comercial. Como todo filho caçula pode atestar (eu sou um deles), só há coisas positivas a serem ditas a respeito do novo grupo. Para os publicitários, os últimos filhos do século passado são mais práticos, empreendedores e criativos que a turma anterior.

Não há uma única plataforma para alcançá-los. A estratégia é perseguir o que desponta no momento. Utilizar ferramentas incipientes, como o Periscope, é uma das tônicas de divulgação.

Trata-se de uma geração que busca projetar sua marca pessoal, querem que sua personalidade seja percebida. Para isso, tomam riscos, adoram experimentar. Mas com prudência, principalmente em relação ao consumo. Antes de comprar qualquer produto, eles se informam bastante.

A ideia de posse como status perde força: alugar e compartilhar são práticas comuns. Além de ser a geração com mais acesso a conhecimento, pesa o fato de terem crescido observando os mais velhos lidarem com a recente crise econômica mundial.

Algumas dessas características são associadas a jovens desde… sempre. Há quem questione certos padrões, como a inclinação à imprudência, o destemor em relação a riscos. Outro ponto importante é que, por se tratar de uma revista norte-americana, a base das informações mira os jovens do primeiro mundo.

De fato, há qualidades partilhadas com a geração Y, grupo que aglutinou os primeiros nativos digitais. Todavia, é possível perceber uma distinção relevante. Mais importante do que olhar essas generalizações é observar a intensidade da sua manifestação. Os jovens estão ainda mais precoces. Não é raro esbarrar em notícias sobre adolescentes que criaram apps/startups de sucesso, dentre outras iniciativas de grande fôlego.

Até que ponto essa ambição é partilhada por grande parte das pessoas da mesma geração ou se apenas representam a inventividade dos mais capacitados e dedicados- que existem em todos os períodos; os atuais apenas têm acesso a uma variedade maior de opções- é algo a conferir.