Cultivando laços verdadeiros

 

 

Na edição desse ano, o festival SXSW 2019, evento que enfoca inovação e economia criativa, escolheu para a abertura do encontro uma pesquisadora de temas demasiadamente humanos (como empatia, insegurança e laços sociais): Brené Brown. Por isso, resgato a passagem de Brown pela TED. Nessa ótima palestra, ela fala sobre como a vulnerabilidade influencia as relações interpessoais e a construção de nossas identidades.

Num mundo que valoriza posições polarizadas, é possível construir conexões genuínas? Em sua pesquisa, Brown explorou o que nos impede de fazer conexões verdadeiras. Quando somos dominados pelo medo e a vergonha, julgamos não merecer laços sociais fortes.

Segundo Brown, ao invés de encararmos a questão, nós fazemos o incerto parecer certo. “Minha religião é a correta; suas crenças, erradas”. Na política, substituímos o debate pela necessidade de apontar culpados. Seguimos com esse padrão, pois “acreditamos” que nossos atos não impactam outras pessoas.

Vivemos num mundo vulnerável, mas decidimos ignorar nossos sentimentos, reflete Brown. Anestesiamo-nos gastando muito, comendo em excesso, usando remédios em demasia etc. Para ela, não é possível contornar essas questões seletivamente. Quando anestesiamos sentimentos pesados, também comprometemos a alegria, a gratidão e a felicidade.

Iniciamos um ciclo nocivo, de fuga, no qual nos entregamos ao consumo. Distanciamo-nos, assim, de sermos autênticos e reais. “Vulnerabilidade é o berço de inseguranças, mas também da criatividade, do pertencimento e do amor”, pondera.

Há pessoas que compreendem isso, chamados por Brown de corações-plenos. São indivíduos que aceitam o imponderável da vida. Em comum,  cultivam a coragem (de serem imperfeitos), compaixão (consigo e com os outros, nessa ordem) e a… Vulnerabilidade. Ao invés de prever e controlar, abraçam novos caminhos, mesmo sem a certeza do sucesso.

Geração Z

Apps

Após concentrarem seus esforços nos millennials (ou geração Y), os publicitários agora observam a ascensão de outro grupo, a geração Z. Formado por pessoas nascidas entre 1996 e 2010,  essa geração passeia pelo mundo digital desde cedo. Ou seja, não precisaram fazer a transição de um mundo dominado por tecnologias analógicas para o ciberespaço.

A Adweek, em parceria com a Defy Media, mapeou os hábitos de consumo de mídia desse grupo.  Entre as preferências, os  mesmos campeões de audiência. Mas a posição ocupada no ranking revela dados interessantes.

Para quem tem entre 13-20 anos, o YouTube reina absoluto: 95% dos jovens usam o serviço de vídeo do Google. Em seguida, aparece o Instagram (69%). A maior rede social online, o Facebook, empata com o Snapchat, com 67%. O Twitter ocupa a quinta colocação, com 52%. O “esquecido” Google+ (37%) aparece na frente de outros serviços mais badalados, como Pinterest (33%) e Tumblr (29%). 

Imagem via Flickr

A vida é mais interessante através do filtro de um celular?

É a pergunta que o NY Times faz em matéria que mostra a rotina de jovens que convivem com seus pares através da interação presencial e via internet.

Nessa nova vida social, não há distinção de ambientes: a troca de olhares é intercalada com fugas para conferir, via celular, o que está acontecendo noutros cenários.

O medo de estar perdendo algo é uma preocupação constante. Já há nome para isso: FOMO. De acordo com pesquisa realizada pela agência de publicidade JWT New York, 65% dos jovens adultos se sentem deixados de fora quando percebem que amigos estão fazendo alguma coisa sem eles.

Labuta ou sina: os novos tempos do trabalho

A revista Fast Company elaborou algumas dicas para quem trabalha em casa. Para a publicação, a mudança de ambiente exige nova mentalidade e um bom sistema de gestão de atividades.

Eu, que trabalho dessa forma há algum tempo, ao invés do termo home office, prefiro o conceito de trabalho remoto,. Essa terminologia é mais ampla e apropriada para tempos em que a tecnologia permite que você trabalhe de qualquer lugar (profissionais preferem locais alternativos, inclusive), utilizando gadgets distintos.

Outra opção cada vez mais comum é a adoção da jornada flexível de trabalho: quando as empresas permitem que funcionários aliem a rotina de suas atividades às necessidades da vida doméstica.

Na verdade, de acordo com alteração recente da CLT, a distinção entre trabalho dentro da empresa e à distância, no que toca a direitos trabalhistas, fica cada vez menor.

Nem tudo está definido, porém: em tempos de conexão constante, o que seria hora extra hoje em dia? Para Douglas Rushkoff, há outras questões importantes. De acordo com ele, a tecnologia deve nos libertar do emprego.

Entendo que todos queremos pagamentos – ou ao menos dinheiro. Queremos comida, moradia, roupas e tudo que o dinheiro compra. Mas será que todos queremos realmente empregos?

Estamos vivendo em uma economia na qual o objetivo não é mais a produtividade, mas o emprego. Isso porque, em um nível muito fundamental, temos quase tudo de que precisamos.

[…]Nosso problema não é que não temos o suficiente – e sim que não temos maneiras suficientes para as pessoas trabalharem e provarem que merecem o que querem.

[…] O emprego, enquanto tal, é um conceito relativamente novo. As pessoas podem ter sempre trabalhado, mas até o advento da corporação, nos princípios da Renascença, a maioria delas simplesmente trabalhava para si.

As pessoas faziam sapatos, criavam galinhas ou criavam valor de alguma forma para outras pessoas, que depois trocavam, ou pagavam por esses bens e serviços. Até o fim da Idade Média, a maior parte da população da Europa prosperava assim.

BBC, UOL e IG reformulam home page: a nova cara da internet

A BBC está testando o novo visual da sua página inicial. No Brasil, IG e UOL seguem o mesmo caminho.

Algumas tendências estão se consolidando: o espaço é dominado pelo branco. Aliás, o conteúdo respira, não tem tantas molduras como outrora. Com menos firulas visuais, os sites também querem melhorar a performance de carregamento.

Há uma busca por otimizar os espaços. Os tempos de menu lateral ficaram para trás há algum tempo. Agora, menus dinâmicos expandem as opções do usuário: ao clicar numa das opções do menu localizado no topo, surgem subseções em cascata.

A primeira dobra da página hierarquiza melhor o conteúdo. As fontes, que estão maiores e geralmente aparecem nas cores azul e preto, servem também a esse propósito. Tamanhos distintos ressaltam a gradação do que é apresentado.

Há uma tendência em encurtar distâncias, em entregar ao visitante o que ele busca, sem necessidades de tantos links. As notícias mais lidas aparecem no lado direito. O IG enche esse espaço com informações de trânsito, futebol, horóscopo e mercado financeiro. No UOL, algumas dessas informações aparecem logo no topo, mas menores. Outras estão no final da página. E há apenas links.

A grande mudança, porém, é integrar a experiência de uso. Predomina o “swiping”: o conteúdo desliza, algo popular nos dispositivos móveis. É uma forma mais intuitiva de embalar a informação.

A BBC usou muito esse recurso. Com isso, oferece informações e serviços sem tornar sua primeira página tão longa. Já os portais nacionais crescem na vertical.

Os primórdios da (minha) vida digital

No meu primeiro contato com um computador, a internet já se fez presente. Foi algo limitado, é claro, pela precariedade da conexão. Mas suficiente para marcar. Em seguida, ao entrar na faculdade, em 1997, era mais fácil me encontrar no laboratório de informática do que nas salas de aula. Não foi em vão: meu trabalho de conclusão de curso foi um guia sobre webwriting e como desenvolver sites jornalísticos.

Desde então, sempre fui presente online. Mantenho blogs desde 2002. Ao longo do tempo, também criei sites no Geocities, Angelfire e Tripod (lembra?), listas de discussão…

No começo da década, cheguei a criar com um grande amigo uma empresa online. Era o produto certo, no momento errado: o mercado era incipiente, havia menos internautas, a bolha da internet tinha estourado, profissionais da antiga tinham dificuldade em trabalhar com sangue novo…  Por isso, a iniciativa não foi para a frente. Segui como autônomo e passei a fazer consultoria de comunicação e estratégia digital, o que vem sendo minha ocupação desde então. Ou seja, minha trajetória profissional se mistura com a internet.

Até porque sempre acreditei no cruzamento de mídias, na interação de diferentes disciplinas. Um site sobre grunge (o primeiro que criei), por exemplo, linkava para uma lista de discussão sobre o assunto. Oferecer experiências complementares, interdependentes entre si, sempre foi um dos meus objetivos.

Mas havia limitações de infra-estrutura que restringiam a complexidade dos projetos. O Youtube nem existia! Busca eficiente? Siga para o Altavista. Eram outros tempos. Aliás, muitos dos serviços que citei aqui acabaram. Ou seja, estar atento às tendências da web é vital para quem quer trabalhar na área.

Hoje, com o crescimento da banda larga e a popularização do ciberespaço, fica mais fácil criar projetos coletivos e multimídia. E o trabalho remoto, um sonho sempre almejado por mim, é cada vez mais comum.