Realidade filtrada

Recentemente, o All Things Digital fez uma análise comparativa do Socialcam, Mobli e Viddy, aplicativos para celular que querem fazer pelo vídeo o que o Instagram fez pelas fotos.

Lembra a obra da cineasta Ry Russo-Young, que produz filmes utilizando diversos formatos. Abaixo, trailer de um de seus filmes, You Won’t Miss Me (2009). Em seguida, uma entrevista com a diretora.

Você não possui seus aplicativos

Cada app que você tenha baixado de qualquer uma das principais lojas de aplicativos potencialmente tem uma licença limitada que poderia expirar no futuro próximo. A maioria de nós não tem nada a temer. Não é certamente um bom negócio apresentar um monte de aplicativos que expiram depois de apenas 2 anos no mercado […]
Certifique-se de olhar todos os detalhes disponíveis sempre que comprar um aplicativo para ver se existe uma licença limitada incluída nele.

O artigo cita os momentos finais da versão do jogo Rock Band para iPhone/iPad. Mas o alcance dessa conversa é bem mais amplo. A Amazon, por exemplo, já apagou remotamente livros instalados no e-reader Kindle.

Zigoto

Biologic [bloom.io] é um app gratuito para iPad que transforma suas redes sociais digitais em células.

Cada “célula” representa uma única pessoa. Dentro dela podem ser encontradas “partículas” brilhosas, que correspondem a sua atualização mais recente. Quanto mais retuítes e likes receber, maior será a movimentação dessa partícula.

Dos mesmos criadores do planetário de exploração musical.

Filmes feitos com celular

The Swarm, curta de terror feito com celulares. Nesse caso, trata-se de uma ação de marketing para divulgar os produtos da linha Xperia, da Sony.

A equipe é formada por profissionais: direção de Tom Harper (cineasta já premiado com um Bafta, o Oscar britânico). Já o roteiro coube a Geoff Busetil e Daniel Kaluuya, que trabalharam na série juvenil Skins (por sinal, a sexta temporada do programa estreou recentemente).

O vídeo brilha ao mostrar as possibilidades do celular na própria trama do curta. Por outro lado, perde pontos por não divulgar eficientemente a “usabilidade” do gadget.

Não gosto dessa abordagem de imitar uma produção caseira, mas deixar o controle criativo para os profissionais. É um caminho limitante, que parece reforçar  a necessidade de credenciais técnicas específicas. Melhor seria mostrar produções independentes ou lançar concurso para destacar filmagens amadoras. Isso mostraria que o produto é acessível.

Há boas iniciativas do tipo. O Mashable, por exemplo, listou bons vídeos feitos com iPhone.

Android: história visual

Do lançamento à mais nova versão (Ice Cream Sandwich, a primeira a valer tanto para celulares quanto tablets), o site The Verge analisa a evolução visual do Android, o popular sistema aberto para dispositivos móveis.

O Google geralmente entrega uma boa UI (User Interface). O problema são as modificações mirabolantes dos fabricantes de hardware ou o desleixo de alguns criadores de aplicativo. Não à toa, o Google quer acabar com as discrepâncias visuais. Agora, há um guia de design para a plataforma Android.

A vida é mais interessante através do filtro de um celular?

É a pergunta que o NY Times faz em matéria que mostra a rotina de jovens que convivem com seus pares através da interação presencial e via internet.

Nessa nova vida social, não há distinção de ambientes: a troca de olhares é intercalada com fugas para conferir, via celular, o que está acontecendo noutros cenários.

O medo de estar perdendo algo é uma preocupação constante. Já há nome para isso: FOMO. De acordo com pesquisa realizada pela agência de publicidade JWT New York, 65% dos jovens adultos se sentem deixados de fora quando percebem que amigos estão fazendo alguma coisa sem eles.

Labuta ou sina: os novos tempos do trabalho

A revista Fast Company elaborou algumas dicas para quem trabalha em casa. Para a publicação, a mudança de ambiente exige nova mentalidade e um bom sistema de gestão de atividades.

Eu, que trabalho dessa forma há algum tempo, ao invés do termo home office, prefiro o conceito de trabalho remoto,. Essa terminologia é mais ampla e apropriada para tempos em que a tecnologia permite que você trabalhe de qualquer lugar (profissionais preferem locais alternativos, inclusive), utilizando gadgets distintos.

Outra opção cada vez mais comum é a adoção da jornada flexível de trabalho: quando as empresas permitem que funcionários aliem a rotina de suas atividades às necessidades da vida doméstica.

Na verdade, de acordo com alteração recente da CLT, a distinção entre trabalho dentro da empresa e à distância, no que toca a direitos trabalhistas, fica cada vez menor.

Nem tudo está definido, porém: em tempos de conexão constante, o que seria hora extra hoje em dia? Para Douglas Rushkoff, há outras questões importantes. De acordo com ele, a tecnologia deve nos libertar do emprego.

Entendo que todos queremos pagamentos – ou ao menos dinheiro. Queremos comida, moradia, roupas e tudo que o dinheiro compra. Mas será que todos queremos realmente empregos?

Estamos vivendo em uma economia na qual o objetivo não é mais a produtividade, mas o emprego. Isso porque, em um nível muito fundamental, temos quase tudo de que precisamos.

[…]Nosso problema não é que não temos o suficiente – e sim que não temos maneiras suficientes para as pessoas trabalharem e provarem que merecem o que querem.

[…] O emprego, enquanto tal, é um conceito relativamente novo. As pessoas podem ter sempre trabalhado, mas até o advento da corporação, nos princípios da Renascença, a maioria delas simplesmente trabalhava para si.

As pessoas faziam sapatos, criavam galinhas ou criavam valor de alguma forma para outras pessoas, que depois trocavam, ou pagavam por esses bens e serviços. Até o fim da Idade Média, a maior parte da população da Europa prosperava assim.

(i)mobilidade social

A maior parte das pessoas no Ocidente desenvolvido dizem que o que acontece na África não tem nada a ver com elas. Veem filmes na África e pensam: ‘O que isso tem a ver comigo?’
Quando meu produtor me falou dos minérios de conflito, topei na hora. Vi aí uma grande chance de mostrar como estamos todos conectados. Como nosso modo de vida depende do sofrimento de outras pessoas.

O cineasta Frank Poulsen explica porque decidiu fazer o filme Blood In The Mobile (trailer abaixo). O documentário mostra como é realizada a extração de metais para celulares, processo comandado por homens armados. Há mais: crianças e adolescentes são utilizados como mão-de-obra. Não há água potável.

Para mudar essa realidade, iniciativas buscam tornar mais transparente as etapas de produção de produtos eletrônicos. É o caso da campanha Make IT Fair (For People Everywhere).


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