Como chegamos até aqui

Citar

A tecnologia da higiene segue, daí, para detergentes. A cozinha caseira fica limpa. Técnicas mais e mais sofisticadas chegam a hospitais e, de lá, para as salas sem um grão de poeira necessárias para a confecção de microchips. O computador ou o celular só existem por conta do pesado investimento em limpeza.

O ar condicionado permitiu a popularização do cinema. O controle da luz artificial e do vidro tornam possível a comunicação digital por fibra óptica. A habilidade de medir com precisão a hora é o que possibilita a geolocalização por GPS. E por trás de cada um destes avanços estão homens sem a fama de um Bill Gates ou de um Steve Jobs. Homens igualmente revolucionários.

O esgoto também permitiu acesso à água encanada (e o surgimento do metrô). A limpeza da rede hidrográfica, importante para garantir água potável, possibilitou o surgimento de piscinas públicas. Elas, por sua vez, modificaram costumes: os trajes ficaram menores, não apenas os de banho.

A higiene resultou em mais saúde, claro. Mas não só. O asseio estava em todo lugar, tornando os ambientes mais assépticos, algo necessário para a criação… dos microchips. Pedro Doria comenta o livroComo chegamos até aqui”, do ótimo Steven Johnson.

Execução sumária

Citar

A tecnologia tem um papel decisivo aí, claro: na rapidez com que um veredito se espalha nas redes, na recompensa imediata em popularidade para os inquisidores. Também na duração do sofrimento das vítimas

Michel Laub, sempre ótimo, comenta o livro “So You’ve Been Publicly Shamed” (“então você foi humilhado publicamente”, Riverhead Books, 304 págs.), de Jon Ronson. A obra aborda nossa capacidade de lançar, através das mídias digitais, julgamentos rápidos e que geralmente suplantam -e muito- o deslize cometido

Citar

Pensar que seu conteúdo digital acontece só no seu site é um tremendo erro. Tem milhares de blogueiros que reclamam que suas fanpages no Facebook não tem alcance, mas o que estamos oferecendo pra quem nos acompanha nessa rede social? E no Twitter? Instagram? Tumblr? Pensar nessas plataformas como meros replicadores de um conteúdo centralizado em seu site é uma visão equivocada sobre o modo como as pessoas consomem conteúdo hoje em dia e de como a rede funciona.

[…] Com smartphones, 3G, banda larga, redes sociais, apps e navegadores, não temos mais um momento certo pra nos informar, outro pra nos entreter, outro pra socializar… tudo isso acontece ao mesmo tempo. Nossa vida agora rola em layers, em várias abas e camadas que se sobrepõe e ficam rodando no background ininterruptamente.

Bia Granja explica porque o YouPix escolheu o Medium como nova casa. Testo a plataforma desde o começo do ano. É promissor.

Economia pós-digital

Citar

Há uma definição, do Douglas Adams, que diz que se (algo) veio antes de nascermos não reconhecemos como tecnologia. Se surgiu entre seus 15 e 35 anos, é cool, eu quero ter. Mas se surge depois dos 35, não deveria existir.

***

O capitalismo é uma estrutura artificial, primitiva. Não se sustenta. A economia compartilhada, sim. A cultura do “ter para ser” está morrendo. Andar de bicicleta é mais moderno que de carro. A sociedade mede sucesso por números. Nosso grupo, por engajamento, impacto positivo, autonomia. A economia pós-digital já nasceu.

Tiago Mattos, publicitário e futurista

Novos formatos

Citar

Poucos mercados foram tão afetados pela revolução digital como o fonográfico e o de fotografia. Até alguns anos atrás, rolos de filme eram vendidos em qualquer banca de esquina e discos de vinil estavam em todas as casas. Hoje, os formatos analógicos são, por vezes, tachados de obsoletos, restritos a nichos, mas um crescente número de saudosistas e adeptos do estilo retrô está reabilitando essas tecnologias, com um toque de modernidade.

Urbe

Citar

O que vejo de muito emocionante é que se faz um retrato da cidade que não olha só a arquitetura ou os personagens, mas combina situações. Há uma certa ambiguidade na composição, que reflete um pouco a experiência urbana, estranha e ambígua […] Essas vivências na cidade e suas transformações são questões cruciais para a fotografia acompanhar.

Thyago Nogueira, editor da revista “Zum” e coordenador da área de fotografia contemporânea do Instituto Moreira Salles (IMS), é uma das pessoas ouvidas no texto “Fotógrafos captam transformações de cidades brasileiras

Policromo

Citar

[…] por mais sedutoras que sejam essas fotos, críticos lembram que muitas vezes seus autores as desprezavam como inferiores àquelas em preto e branco, já que nos primórdios da cor era difícil controlar seu resultado final.

É também por isso que essas imagens precisam de restauros para que voltem a ter a luminosidade da época.

Novos rumos da fotografia

Citar

A fotografia é imensamente diferente nestes primeiros anos do século 21. Não é mais o resultado de luz sobre um filme nem necessariamente é baseada em lentes. Na medida em que a tecnologia digital praticamente substituiu o processo químico, a fotografia hoje é uma mídia cuja forma vem mudando mais e mais. O iPhone, o scanner e o Photoshop produzem uma gama espantosa de imagens, e artistas que garimpam novas tecnologias estão fazendo a documentação especular do mundo parecer obsoleta.

[…] A mudança de registro do factual para o fictício -e todas as graduações intermediárias- talvez seja a maior questão em jogo no processo de reflexão em curso nos círculos fotográficos. As perguntas são muitas: pode a imagem “captada” (feita na rua -pense no trabalho documental de Henri Cartier-Bresson) conservar pé de igualdade com a imagem “construída” (criada no estúdio ou no computador)?

O que constitui uma foto? Artistas e curadores exploram/expandem a questão.