O especialista em marketing Jeff Su argumenta que a inteligência artificial redefiniu o diferencial competitivo dos profissionais. Em vez de apenas utilizar ferramentas, torna-se mais relevante saber organizar quando delegar, como estruturar processos e de que forma interpretar os resultados produzidos.
O primeiro ponto é a gestão da delegação. A chamada regra do “cockpit” divide as tarefas em três modos: piloto automático para rotinas simples e repetitivas, colaboração quando há necessidade de iteração contínua com a IA e modo manual em decisões sensíveis ou com pouco contexto. A proposta não é automatizar tudo, mas escolher conscientemente o nível de controle humano.
O segundo pilar envolve o design de processos. O ganho passa a vir da capacidade de organizar fluxos de trabalho. Dividir tarefas complexas em etapas menores e formular instruções claras tende a aumentar a consistência das respostas, reduzindo retrabalho e ambiguidade.
No campo do storytelling estratégico, o foco deixa de ser apenas apresentar dados e passa a estruturar narrativas. Duas estruturas aparecem com frequência:
A ABT (And, But, Therefore), criada pelo cientista e cineasta Randy Olson, busca simplificar mensagens complexas por meio de uma progressão lógica. O And (E) estabelece o contexto e os fatos iniciais, organizando aquilo que já é conhecido ou consensual. O But (Mas) introduz a quebra de expectativa, o problema ou a mudança que exige atenção; sem essa etapa, a comunicação tende a virar apenas uma sequência descritiva. O Therefore (Portanto) apresenta a consequência lógica ou o próximo passo, conectando o conflito a uma decisão prática.
Já a SCQA (Situation, Complication, Question, Answer), difundida pela McKinsey a partir do trabalho de Barbara Minto, é mais detalhada e costuma aparecer em apresentações e relatórios executivos. A Situation (Situação) define o cenário inicial compartilhado por todos. A Complication (Complicação) mostra o evento que altera esse cenário e cria tensão ou oportunidade. A Question (Pergunta) explicita a dúvida estratégica que surge naturalmente dessa mudança, organizando o raciocínio antes da solução. Por fim, a Answer (Resposta) apresenta a recomendação ou direção proposta. A diferença central entre essas estruturas e uma simples descrição de dados está no foco no conflito como motor da narrativa.
Por fim, aparece a proteção do pensamento crítico. O uso constante de assistentes pode induzir à aceitação automática das respostas. Estratégias como formular hipóteses antes de consultar a IA e revisar o conteúdo com critérios próprios ajudam a preservar análise e julgamento.

