Quando a inteligência artificial encontra o mundo físico

A Apple anunciou John Ternus como novo CEO. Para Pedro Doria, isso sinaliza uma mudança estratégica: a migração da IA do software para o hardware. Na visão da empresa, a IA tende a se tornar uma utilidade básica. O valor passaria à integração em objetos físicos.
Entre os produtos em desenvolvimento estão óculos inteligentes com câmeras e orientações por voz, além de fones de ouvido com sensores visuais e acessórios vestíveis, como pingentes, que atuam como olhos e ouvidos do sistema.

Google lança app de ditado com IA que funciona sem internet

O Google lançou um aplicativo de ditado por voz com inteligência artificial que funciona mesmo sem internet. Chamado de “Google AI Edge Eloquent”, o app chegou ao iOS e usa modelos locais para transformar fala em texto em tempo real, sem depender da nuvem.

A proposta vai além da transcrição básica. Após gravar, o sistema remove pausas e vícios de linguagem, como como pausas e hesitações, e entrega um texto já revisado. Também permite ajustar o conteúdo em diferentes formatos, como versões mais curtas, formais ou com os principais pontos destacados, além de gerar estatísticas de uso, como velocidade de fala e número de palavras.

O app pode operar totalmente offline, mas oferece um modo opcional com processamento em nuvem para refinar ainda mais o texto. Outro recurso é a personalização do vocabulário, com importação de termos do Gmail ou inclusão manual de palavras frequentes, o que melhora a precisão.

Aos 50 anos, Apple tenta evoluir sem perder o DNA de Jobs

A Apple completa 50 anos mantendo os princípios estabelecidos por Steve Jobs como o DNA central de sua cultura. Em entrevista recente, o CEO Tim Cook afirmou que o maior legado de Jobs não foi um produto específico, e sim a própria empresa e o modo como ela toma decisões.

Esse modelo parte de uma ideia simples: qualidade comum não é suficiente. Por isso, a Apple costuma dizer “não” a milhares de propostas para concentrar recursos em poucos projetos considerados essenciais.

Outro pilar é o confronto de ideias entre especialistas de diferentes áreas. Cook descreve esse processo como um “tambor de rochas”, em que o atrito entre perspectivas ajuda a lapidar as soluções. A lógica é que o debate produz resultados melhores do que o trabalho isolado.

Ao mesmo tempo, a empresa passou a incorporar novos temas que não estavam no centro da estratégia décadas atrás, como privacidade digital, sustentabilidade e acessibilidade. A direção afirma que a meta é atualizar prioridades sem abandonar o núcleo da cultura criado por Jobs. Manter esse equilíbrio entre continuidade e adaptação é parte do motivo pelo qual o modelo da Apple é difícil de reproduzir fora da empresa.

Como a inteligência artificial está redefinindo carreiras e competências

O mercado de trabalho vive uma fase de transformação impulsionada pela inteligência artificial, exigindo que profissionais assumam o controle de suas carreiras através da atualização constante de competências. Ryan Roslansky, CEO do LinkedIn, aponta que o conjunto de habilidades exigido para uma mesma função mudou cerca de 25% nos últimos anos, com previsão de chegar a 70% até 2030.

Embora as contratações em geral registrem queda de 12% devido ao cenário macroeconômico, o setor de tecnologia voltado à IA segue em expansão, criando novas ocupações como anotadores de dados e engenheiros de implantação.

A valorização do profissional no futuro dependerá de um equilíbrio entre o domínio de ferramentas de IA e o fortalecimento das chamadas habilidades humanas: curiosidade, coragem, criatividade, compaixão e comunicação.

Para Roslansky, o perfil ideal não busca apenas o acúmulo de diplomas, mas a capacidade de demonstrar conhecimento prático e autoridade em nichos específicos. Nesse contexto, o uso estratégico do perfil profissional para compartilhar aprendizados e experiências torna-se uma ferramenta de visibilidade e conexão com novas oportunidades econômicas.

Consumo diário de apps chega a 3,6 horas e IA acelera receita

O relatório State of Mobile 2026, da Sensor Tower, aponta que o uso de aplicativos seguiu em alta em 2025: cada pessoa passou mais de 600 horas no celular, somando 5,3 trilhões de horas globais, avanço de 3,8%, com média diária de 3,6 horas e uso mensal de 34 apps diferentes.

As redes sociais puxaram o tempo total, com mais 108 bilhões de horas, enquanto apps de IA generativa cresceram 30,3 bilhões. Apesar disso, a receita avançou mais na IA, que adicionou US$ 3,1 bilhões, contra US$ 1,92 bilhão das redes.

Downloads de redes sociais caíram 663 milhões, enquanto apps de IA ganharam 1,78 bilhão. No total, compras dentro de apps atingiram US$ 167 bilhões, alta anual de 10,6%, indicando disputa mais intensa pela atenção e pelo gasto do usuário.

Software sem programadores: O que o “vibe coding” revela sobre o futuro digital

Kevin Roose, colunista de tecnologia do NY Times, comenta que o conceito de “vibe coding” evoluiu para uma nova fase da inteligência artificial chamada codificação agêntica, onde sistemas operam de forma autônoma para realizar tarefas complexas.

Diferente das ferramentas iniciais que exigiam supervisão constante, as novas tecnologias, como o Claude Code e o Codex da OpenAI, conseguem planejar projetos, criar arquivos e até corrigir erros sem intervenção humana direta. Essa mudança permite que pessoas sem conhecimento técnico em programação desenvolvam softwares funcionais em poucos minutos, apenas descrevendo suas ideias.

A rápida evolução desses agentes reflete um avanço significativo na utilidade econômica da IA, que agora executa funções antes exclusivas de profissionais qualificados. Empresas do setor já utilizam esses sistemas para automatizar fluxos de trabalho em áreas como marketing, finanças e engenharia.

No entanto, o crescimento dessa autonomia levanta discussões sobre o impacto no mercado de trabalho, com estudos indicando uma redução na contratação de desenvolvedores iniciantes e previsões de mudanças profundas em cargos de nível operacional nos próximos anos.