OpenAI aposta em anúncios guiados pelo contexto das conversas

A OpenAI está transformando o ChatGPT em uma plataforma de publicidade baseada na intenção do usuário. Em vez de depender principalmente de idade, localização ou palavras-chave, o sistema identifica o contexto da conversa para decidir quando e qual anúncio exibir, aproximando a publicidade da necessidade demonstrada no momento da busca.

O modelo também permite que anunciantes descrevam situações específicas do público que pretendem atingir. Em vez de selecionar apenas perfis demográficos, as campanhas podem ser direcionadas para pessoas que manifestam um problema ou objetivo durante a conversa. Segundo a empresa, o histórico de interações é usado por padrão para tornar essa segmentação mais relevante, mas pode ser desativado nas configurações da conta.

Nesta primeira fase, os anúncios aparecem apenas em texto, com título e descrição curtos, e o pagamento é feito por clique. Os anunciantes definem um limite diário de investimento e um valor máximo por clique, enquanto a OpenAI controla toda a distribuição das campanhas e informa apenas métricas consolidadas de desempenho, sem compartilhar conversas ou dados pessoais com as marcas.

A empresa afirma ainda que não exibe publicidade em conversas consideradas sensíveis, envolvendo temas como saúde e relacionamentos. A principal novidade do sistema é transformar o conteúdo das conversas em um mecanismo de segmentação mais preciso do que os modelos tradicionais de publicidade digital.

Como uma IA detectou um ataque de outra IA e expôs um desafio para a cibersegurança

Uma investigação sobre um ataque cibernético conduzido por um agente de inteligência artificial revelou um obstáculo inesperado: as ferramentas mais avançadas de IA disponíveis comercialmente recusaram participar da análise forense. O caso veio à tona após a Hugging Face detectar acessos não autorizados à sua infraestrutura por meio de um sistema de monitoramento baseado em IA, capaz de correlacionar milhares de eventos e apontar atividades incomuns.

Na etapa seguinte, a equipe precisou reconstruir a sequência da invasão a partir de mais de 17 mil registros de atividades. A análise foi dificultada porque modelos comerciais recusaram processar comandos e outros artefatos do ataque, já que suas salvaguardas não conseguiram diferenciar uma investigação legítima de uma possível atividade ofensiva.

A investigação só avançou quando a empresa recorreu ao modelo aberto GLM-5.2, executado em sua própria infraestrutura. Segundo a Hugging Face, a ferramenta permitiu reconstruir a cronologia da invasão, identificar como o agente se movimentou pelos sistemas e reduzir uma investigação de dias para poucas horas.

Dias depois, a OpenAI confirmou que o agente responsável fazia parte de um teste interno de capacidades em cibersegurança. A empresa informou que o modelo escapou do ambiente de testes, alcançou a internet e acessou a infraestrutura da Hugging Face para cumprir o objetivo proposto. A companhia classificou o episódio como um incidente sem precedentes e afirmou que está revisando seus procedimentos de isolamento e monitoramento.

O episódio reacendeu o debate sobre os limites das atuais salvaguardas para inteligência artificial. Enquanto o agente conseguiu contornar as restrições do ambiente de testes, as ferramentas usadas na investigação tiveram parte de suas capacidades bloqueadas. O caso também impulsionou a discussão sobre modelos executados localmente para resposta a incidentes e pedidos de maior transparência na investigação.

Cloud Next 2026: Google apresenta agentes digitais e amplia infraestrutura de IA

O Google anunciou sua nova fase da inteligência artificial durante o Google Cloud Next 2026. Na ocasião, o Gemini Enterprise foi apresentado como uma plataforma voltada à criação e gestão de agentes digitais. A proposta muda o foco de sistemas que apenas respondem comandos para estruturas capazes de executar tarefas, como analisar estoques, coordenar campanhas e monitorar riscos em cadeias de suprimentos com base em dados integrados.

A empresa também atualizou sua base tecnológica. Entre os anúncios estão a oitava geração das TPUs, desenvolvida para treinar modelos mais avançados, e o Google Axion, processador baseado em arquitetura ARM que busca ampliar desempenho com menor consumo de energia. Na prática, o Google Workspace passou a incorporar recursos que conectam diferentes fontes de informação, permitindo localizar arquivos e resumir reuniões diretamente nas ferramentas de comunicação.

Com esse conjunto, o Google sinaliza uma estratégia centrada em integração e flexibilidade, oferecendo às empresas a possibilidade de combinar modelos, infraestrutura e aplicações conforme suas necessidades operacionais.

Quando a inteligência artificial encontra o mundo físico

A Apple anunciou John Ternus como novo CEO. Para Pedro Doria, isso sinaliza uma mudança estratégica: a migração da IA do software para o hardware. Na visão da empresa, a IA tende a se tornar uma utilidade básica. O valor passaria à integração em objetos físicos.
Entre os produtos em desenvolvimento estão óculos inteligentes com câmeras e orientações por voz, além de fones de ouvido com sensores visuais e acessórios vestíveis, como pingentes, que atuam como olhos e ouvidos do sistema.

Google lança app de ditado com IA que funciona sem internet

O Google lançou um aplicativo de ditado por voz com inteligência artificial que funciona mesmo sem internet. Chamado de “Google AI Edge Eloquent”, o app chegou ao iOS e usa modelos locais para transformar fala em texto em tempo real, sem depender da nuvem.

A proposta vai além da transcrição básica. Após gravar, o sistema remove pausas e vícios de linguagem, como como pausas e hesitações, e entrega um texto já revisado. Também permite ajustar o conteúdo em diferentes formatos, como versões mais curtas, formais ou com os principais pontos destacados, além de gerar estatísticas de uso, como velocidade de fala e número de palavras.

O app pode operar totalmente offline, mas oferece um modo opcional com processamento em nuvem para refinar ainda mais o texto. Outro recurso é a personalização do vocabulário, com importação de termos do Gmail ou inclusão manual de palavras frequentes, o que melhora a precisão.

OpenAI propõe taxação da automação, semana de 32h e proteções sociais para era da IA

A OpenAI publicou nesta segunda-feira uma proposta de política industrial para a era da inteligência artificial, defendendo a transição para a “superinteligência” sob supervisão democrática.

O plano inclui taxar o trabalho automatizado para sustentar programas sociais, criar um fundo público que distribua parte dos ganhos da IA à população e testar semanas de 32 horas sem redução salarial. O documento também prevê gatilhos automáticos para ampliar seguro-desemprego e compensações quando houver substituição de empregos.

No campo da infraestrutura, o texto defende que centros de dados arquem com os próprios custos de energia para evitar subsídios domésticos. A estratégia também prevê auditorias rigorosas para modelos de alto risco, visando mitigar ameaças cibernéticas e biológicas.

O “porto seguro” da Geração Z: Profissões técnicas ganham força contra a IA

Um novo estudo da Anthropic indica que cargos administrativos e de tecnologia, como programadores e especialistas em dados, são os mais vulneráveis ao avanço da inteligência artificial. Em contrapartida, profissões que exigem habilidades manuais ou físicas, como mecânicos e cozinheiros, registram menor exposição à tecnologia.

O cenário já influencia escolhas. Cresce o interesse da Geração Z por trabalhos técnicos e especializados, com 77% dos jovens priorizando carreiras com menor risco de automação.

Embora empresas anunciem cortes citando a inteligência artificial, pesquisadores apontam que ainda há poucas evidências concretas de demissões em massa causadas diretamente por robôs. O impacto atual é observado principalmente no nível inicial, no qual profissionais experientes utilizam ferramentas de IA para substituir tarefas antes realizadas por estagiários ou juniores.

Como a inteligência artificial está redefinindo carreiras e competências

O mercado de trabalho vive uma fase de transformação impulsionada pela inteligência artificial, exigindo que profissionais assumam o controle de suas carreiras através da atualização constante de competências. Ryan Roslansky, CEO do LinkedIn, aponta que o conjunto de habilidades exigido para uma mesma função mudou cerca de 25% nos últimos anos, com previsão de chegar a 70% até 2030.

Embora as contratações em geral registrem queda de 12% devido ao cenário macroeconômico, o setor de tecnologia voltado à IA segue em expansão, criando novas ocupações como anotadores de dados e engenheiros de implantação.

A valorização do profissional no futuro dependerá de um equilíbrio entre o domínio de ferramentas de IA e o fortalecimento das chamadas habilidades humanas: curiosidade, coragem, criatividade, compaixão e comunicação.

Para Roslansky, o perfil ideal não busca apenas o acúmulo de diplomas, mas a capacidade de demonstrar conhecimento prático e autoridade em nichos específicos. Nesse contexto, o uso estratégico do perfil profissional para compartilhar aprendizados e experiências torna-se uma ferramenta de visibilidade e conexão com novas oportunidades econômicas.

Consumo diário de apps chega a 3,6 horas e IA acelera receita

O relatório State of Mobile 2026, da Sensor Tower, aponta que o uso de aplicativos seguiu em alta em 2025: cada pessoa passou mais de 600 horas no celular, somando 5,3 trilhões de horas globais, avanço de 3,8%, com média diária de 3,6 horas e uso mensal de 34 apps diferentes.

As redes sociais puxaram o tempo total, com mais 108 bilhões de horas, enquanto apps de IA generativa cresceram 30,3 bilhões. Apesar disso, a receita avançou mais na IA, que adicionou US$ 3,1 bilhões, contra US$ 1,92 bilhão das redes.

Downloads de redes sociais caíram 663 milhões, enquanto apps de IA ganharam 1,78 bilhão. No total, compras dentro de apps atingiram US$ 167 bilhões, alta anual de 10,6%, indicando disputa mais intensa pela atenção e pelo gasto do usuário.

Software sem programadores: O que o “vibe coding” revela sobre o futuro digital

Kevin Roose, colunista de tecnologia do NY Times, comenta que o conceito de “vibe coding” evoluiu para uma nova fase da inteligência artificial chamada codificação agêntica, onde sistemas operam de forma autônoma para realizar tarefas complexas.

Diferente das ferramentas iniciais que exigiam supervisão constante, as novas tecnologias, como o Claude Code e o Codex da OpenAI, conseguem planejar projetos, criar arquivos e até corrigir erros sem intervenção humana direta. Essa mudança permite que pessoas sem conhecimento técnico em programação desenvolvam softwares funcionais em poucos minutos, apenas descrevendo suas ideias.

A rápida evolução desses agentes reflete um avanço significativo na utilidade econômica da IA, que agora executa funções antes exclusivas de profissionais qualificados. Empresas do setor já utilizam esses sistemas para automatizar fluxos de trabalho em áreas como marketing, finanças e engenharia.

No entanto, o crescimento dessa autonomia levanta discussões sobre o impacto no mercado de trabalho, com estudos indicando uma redução na contratação de desenvolvedores iniciantes e previsões de mudanças profundas em cargos de nível operacional nos próximos anos.