Urbe

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O que vejo de muito emocionante é que se faz um retrato da cidade que não olha só a arquitetura ou os personagens, mas combina situações. Há uma certa ambiguidade na composição, que reflete um pouco a experiência urbana, estranha e ambígua […] Essas vivências na cidade e suas transformações são questões cruciais para a fotografia acompanhar.

Thyago Nogueira, editor da revista “Zum” e coordenador da área de fotografia contemporânea do Instituto Moreira Salles (IMS), é uma das pessoas ouvidas no texto “Fotógrafos captam transformações de cidades brasileiras

Policromo

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[…] por mais sedutoras que sejam essas fotos, críticos lembram que muitas vezes seus autores as desprezavam como inferiores àquelas em preto e branco, já que nos primórdios da cor era difícil controlar seu resultado final.

É também por isso que essas imagens precisam de restauros para que voltem a ter a luminosidade da época.

Novos rumos da fotografia

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A fotografia é imensamente diferente nestes primeiros anos do século 21. Não é mais o resultado de luz sobre um filme nem necessariamente é baseada em lentes. Na medida em que a tecnologia digital praticamente substituiu o processo químico, a fotografia hoje é uma mídia cuja forma vem mudando mais e mais. O iPhone, o scanner e o Photoshop produzem uma gama espantosa de imagens, e artistas que garimpam novas tecnologias estão fazendo a documentação especular do mundo parecer obsoleta.

[…] A mudança de registro do factual para o fictício -e todas as graduações intermediárias- talvez seja a maior questão em jogo no processo de reflexão em curso nos círculos fotográficos. As perguntas são muitas: pode a imagem “captada” (feita na rua -pense no trabalho documental de Henri Cartier-Bresson) conservar pé de igualdade com a imagem “construída” (criada no estúdio ou no computador)?

O que constitui uma foto? Artistas e curadores exploram/expandem a questão.

Fotografia digital

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Para [Nick] Knight, a revolução democratizante propiciada pelas câmeras de celular é tão radical quanto a ocorrida nos anos 1960, quando o britânico David Bailey, ícone da fotografia, largou o tripé e começou a trabalhar com uma câmera de mão.

“Isso deu liberdade a ele e mudou o que a fotografia era, artisticamente. O mesmo vale para mim e o iPhone.”

Mas e quanto à lente do aparelho? “É absurdo que as pessoas pensem que todas as fotos têm de ter alta resolução. O que importa, em termos artísticos, é se a imagem funciona. A maquinaria com a qual se cria arte é irrelevante”, afirma o fotógrafo.

“A experiência fora do alcance do relato”

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Para um cronista de meio século atrás, digamos, o maior temor era a falta de assunto. Hoje é o contrário. […] Não que o mundo seja mais movimentado hoje. O que aumentou foram os veículos para que corram versões dos fatos. O modernismo errou ao decretar a morte da narrativa. Idem quem segue falando da morte da ficção. Pois o que mais há agora são narrativas ficcionais: o tipo de relato sobre nós mesmos, mediado pela idealização –tudo falso, portanto– que fazemos de nossa inteligência, cultura, humor e experiência social.

[…] Seria um bom final para este longo 2013: um pouco de vazio e tédio em vez do fetiche do registro e do movimento. Uma paisagem à beira da praia sem o filtro de um aplicativo. Nenhuma hashtag comentando o desempenho sexual de ninguém. A experiência fora do alcance do relato, a vida que não precisa ser classificada e explicada nos limites –sempre mais estreitos– da linguagem.

FestAruanda 2013

Vídeo

Hoje chega ao fim o FestAruanda 2013. Foi bacana participar mais uma vez da seleção dos curtas. Muitos filmes não podem ser assistidos online. São produções recentes, ainda em circulação nos festivais (não raro, tais eventos pedem ineditismo em relação a outras plataformas).

Todavia… Como no ano passado não rolou festival, decidimos resgatar alguns títulos de safras anteriores. Dique (vídeo acima) e Linear são ótimos exemplos. Ambos disponíveis na rede.